Outubro Rosa e câncer de mama: impactos que vão além do tumor

Mulheres podem enfrentar dificuldades na autoestima, na vida emocional e na vida íntima durante e após o tratamento

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Medo, ansiedade, mudanças na percepção sobre o próprio corpo e alterações na vida sexual podem fazer parte da experiência de mulheres diagnosticadas com câncer de mama. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de mama é o tipo de câncer mais incidente no país, com estimativa de 71,57 novos casos a cada 100 mil habitantes. Por isso, o Outubro Rosa se tornou uma campanha fundamental para reforçar a prevenção e o diagnóstico precoce, que servem como as principais estratégias no enfrentamento da doença.

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Os impactos na saúde mental das pacientes com câncer de mama

Para a psiquiatra Fabricia Signorelli, essas emoções costumam fazer parte da experiência de lidar com a doença, e por si só, não significam a existência de um transtorno. “É esperado que uma pessoa fique abalada diante de um diagnóstico de câncer. O problema é quando o sofrimento se torna intenso, persistente e começa a comprometer o funcionamento da vida cotidiana. Nesses casos, é importante buscar avaliação profissional”, afirma.

Fabrícia explica que para muitas mulheres, retornar a rotina anterior à doença é um desafio e as preocupações não se encerram após o fim do tratamento, devido ao receio do retorno  da doença, principalmente em períodos próximos aos exames de acompanhamento. Portanto, o acolhimento das pacientes é fundamental, assim como mostrar que medo, tristeza e insegurança fazem parte do processo e que o cuidado em saúde mental oferece espaço para esses sentimentos e recursos para ajudar a atravessar esse período. 

Os impactos na autoestima das pacientes com câncer de mama

cancer de mama
Foto: Reprodução Getty Image – Dolores

A perda de cabelo que tende a ocorrer durante a quimioterapia, a retirada das mamas, as cicatrizes das cirurgias e outras alterações físicas causadas pelo tratamento da doença atingem diretamente a percepção que a mulher tem sobre o próprio corpo. A ginecologista Karoline Prado afirma que os impactos do câncer de mama na maneira que as pacientes se enxergam vão além da aparência: “Autoestima não é apenas uma questão estética. A forma como a mulher se percebe pode interferir na sua vida social, afetiva e sexual. Por isso, falar sobre imagem corporal também é falar sobre saúde”, explica.

Os impactos na vida sexual durante tratamento de câncer

A vida sexual também é afetada pelo tratamento oncológico. Segundo o Ministério da Saúde, algumas das mudanças que podem ocorrer são alterações hormonais e na imagem corporal, redução da líbido e efeitos como ressecamento da vagina. A diminuição dos níveis de estrogênio, por exemplo, pode reduzir a lubrificação vaginal e tornar os tecidos mais finos e sensíveis, contribuindo para o desconforto durante a relação sexual. Entre as orientações do órgão para lidar com essas mudanças estão o diálogo sobre a intimidade, a aceitação das mudanças corporais, o uso de lubrificantes à base de água, o gerenciamento de fadiga e a adaptação das expectativas em relação ao desejo sexual.

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Apesar de ser uma área afetada, a sexualidade nem sempre é discutida após o diagnóstico, visto que as preocupações relacionadas ao tumor acabam se tornando a prioridade, mas os impactos na vida íntima não deixam de merecer atenção. A ginecologista e obstetra Karoline afirma que “Ressecamento, desconforto ou dor durante a relação e diminuição da libido podem acontecer em algumas pacientes. O importante é não considerar esses sintomas como algo que precisa simplesmente ser suportado. Eles devem ser avaliados individualmente para que sejam buscadas alternativas que tragam mais conforto e qualidade de vida”, diz.

Prevenção do Câncer de Mama

O INCA orienta que as mulheres observem e palpem as mamas no dia a dia, sem a necessidade de seguir uma técnica específica de autoexame. Ao perceber alguma alteração suspeita, a recomendação é procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) para avaliação e, se necessário, encaminhamento para exames complementares.

Durante as consultas com a equipe de saúde, as pacientes têm a abertura para relatar questões que nem sempre são abordadas, como o medo da recidiva, as mudanças na autoestima e as dificuldades na vida sexual. Compartilhar essas preocupações com os profissionais que acompanham o processo permite identificar as necessidades de cada mulher e avaliar alternativas para melhorar sua qualidade de vida durante e após o tratamento. 

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A psiquiatra Fabrícia Signorelli reforça que buscar ajuda psicológica e psiquiátrica não são sinônimos de fragilidade. “Pedir ajuda não é sinal de fraqueza. O câncer é uma experiência que pode mobilizar muitas emoções, e ninguém precisa atravessar tudo isso sozinho. O acompanhamento adequado pode ajudar a mulher a lidar com as mudanças e a retomar, aos poucos, diferentes áreas da sua vida”, conclui.

Por: Ana Lara Sales – Estagiária MD News | Surpevisão de Estágio: Laís Queiroz e Revisão de Daniela Gentil

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