O aumento das compras de brinquedos no período do Dia das Crianças também amplia a atuação de criminosos no comércio eletrônico. Um levantamento da Serasa Experian aponta que as tentativas de fraude na categoria cresceram 130,4% em outubro de 2025, na comparação com a média mensal dos demais meses analisados.
Segundo o estudo, foram registrados 49.519 pedidos online de brinquedos em outubro, volume 98,2% superior à média mensal registrada entre julho de 2025 e o mesmo mês de 2026, desconsiderando outubro de 2025. No mesmo período, 371 tentativas de fraude foram identificadas e bloqueadas por tecnologias antifraude.
As transações impedidas poderiam ter provocado um prejuízo de R$ 193,3 mil caso fossem concluídas. O levantamento também aponta que o valor médio das tentativas fraudulentas aumentou durante o período.
Compras movimentaram R$ 11,49 milhões
O comércio eletrônico de brinquedos movimentou R$ 11,49 milhões em outubro de 2025, valor 95,7% superior à média mensal registrada no período analisado.
Entre as tentativas de fraude, o ticket médio chegou a R$ 506,91 em outubro, contra R$ 428,91 na média do período, alta de 18,2%. Já o valor médio das compras consideradas legítimas teve variação de apenas 0,6%.
Para Rodrigo Sanchez, diretor de Autenticação a Fraude da Serasa Experian, o crescimento das tentativas acima do aumento das próprias compras indica uma pressão adicional sobre o comércio eletrônico durante períodos de maior movimentação.
“O movimento mostra que datas comemorativas podem ampliar não apenas as oportunidades para o comércio eletrônico, mas também a atuação de fraudadores em diferentes categorias de produtos.”
Consumidores acima de 51 anos concentram fraudes bloqueadas
O levantamento também identificou diferenças entre os perfis dos consumidores envolvidos em compras legítimas e nas tentativas de fraude.
Entre as 49.519 compras legítimas registradas em outubro, 18.698 foram realizadas por consumidores entre 36 e 50 anos, faixa que representou 37,8% do total. O ticket médio desse grupo foi de R$ 224,16.
Já os consumidores com mais de 51 anos apresentaram o maior valor médio entre as compras legítimas, de R$ 253,70.

Quando consideradas as tentativas de fraude, o cenário muda. Pessoas acima de 51 anos estiveram associadas a 191 das 371 ocorrências bloqueadas, o equivalente a 51,5% do total.
Apesar de concentrarem a maior quantidade de ocorrências, esse grupo apresentou o menor ticket médio entre as tentativas fraudulentas, de R$ 312,95. O maior valor médio foi registrado entre consumidores de 26 a 35 anos, chegando a R$ 949,80.
Dia das Crianças teve mais tentativas de fraude que o Natal
A análise também comparou o comportamento das compras de brinquedos no Dia das Crianças e no Natal de 2025.
O período que antecedeu o Natal registrou 30,4% mais compras online de brinquedos do que o Dia das Crianças. Apesar disso, as tentativas de fraude foram 26,15% maiores no período relacionado ao Dia das Crianças.
O impacto financeiro potencial das fraudes também foi maior. O valor preservado pela identificação e pelo bloqueio das transações fraudulentas no período do Dia das Crianças foi 97,98% superior ao registrado na comparação com o período natalino.

Para a Serasa Experian, o aumento do número de consumidores e transações em períodos sazonais pode ser aproveitado por criminosos para tentar fazer operações fraudulentas se misturarem às compras legítimas.
A empresa destaca ainda que produtos muito procurados em determinadas épocas podem ser utilizados em esquemas de fraude e posteriormente revendidos.
Como evitar golpes nas compras online
Para reduzir os riscos durante as compras de Dia das Crianças, especialistas recomendam atenção a ofertas, links e formas de pagamento.
Entre as principais orientações estão:
- Desconfiar de brinquedos e outros produtos anunciados por preços muito abaixo dos praticados no mercado;
- Conferir se o endereço do site corresponde ao canal oficial da loja antes de informar dados pessoais ou de pagamento;
- Evitar acessar promoções recebidas por links de remetentes desconhecidos em mensagens, redes sociais, SMS ou e-mails;
- Nunca fornecer senhas, códigos de autenticação ou informações bancárias fora dos aplicativos e canais oficiais;
- Utilizar senhas fortes e diferentes para lojas, e-mails e aplicativos financeiros;
- Conferir os dados do vendedor, as condições de pagamento e a entrega antes de finalizar compras em marketplaces;
- Monitorar regularmente as movimentações financeiras e o CPF para identificar possíveis atividades suspeitas.
O que fazer se cair em um golpe
Quem identificar uma fraude ou tiver problemas com uma compra online deve guardar comprovantes, nota fiscal, registros da negociação, dados do vendedor e protocolos de atendimento. Esses documentos podem ser necessários para contestar a transação e buscar a reparação do prejuízo.
Serviço — Onde reclamar
O consumidor pode registrar uma reclamação pelo Consumidor.gov.br, plataforma pública que permite a comunicação direta com empresas participantes. Para utilizar o serviço, é necessário ter uma conta Gov.br. As empresas participantes se comprometem a analisar e responder às reclamações em até 10 dias.
Em São Paulo, também é possível procurar o Procon-SP Digital, que recebe reclamações de consumidores residentes no estado. O acesso é feito por conta Gov.br, nível prata ou ouro.
Procon-SP Digital – registrar reclamação
Caso o problema não seja solucionado por esses canais, o próprio Consumidor.gov.br orienta que o consumidor procure órgãos como Procons, Defensorias Públicas e Juizados Especiais Cíveis.
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