A expansão do Mercado Livre de Energia vem mudando a forma como empresas brasileiras contratam eletricidade. Com a possibilidade de negociar fornecedor, preço, prazo e condições de contratação, consumidores empresariais passaram a buscar alternativas ao modelo tradicional das distribuidoras — movimento que também impulsiona empresas especializadas na gestão desse processo.
É nesse mercado que atua a Tendência Energia, empresa brasileira de consultoria e gestão energética, com sede em São Paulo e atuação nacional. A companhia auxilia empresas desde o estudo de viabilidade para entrada no Mercado Livre até a negociação e gestão dos contratos de energia.
Entre os serviços estão análise do perfil de consumo, estudos de migração, representação junto aos agentes do setor, acompanhamento de contratos, auditoria de faturas, telemetria, projetos de autogeração e soluções relacionadas ao consumo de energia renovável.
Um dos principais argumentos para a migração é econômico. A Tendência aponta que, dependendo do perfil de consumo e das condições de contratação, empresas podem alcançar economias de até 35% na conta de energia. O percentual, porém, varia de acordo com fatores como consumo, localização, tarifa da distribuidora, preço contratado e momento da negociação.
Parceria com a Eletrobras
Um dos movimentos relevantes na trajetória da Tendência foi a parceria firmada com a Eletrobras para ampliar a atuação no Mercado Livre de Energia, especialmente entre pequenas e médias empresas.
No modelo anunciado, a capacidade de geração e comercialização da Eletrobras se soma à estrutura de gestão e à capilaridade comercial da Tendência para alcançar consumidores em diferentes regiões do país.
A parceria acompanha uma transformação estrutural do setor elétrico brasileiro. Desde janeiro de 2024, todos os consumidores conectados em alta tensão passaram a ter a possibilidade de migrar para o Mercado Livre, ampliando significativamente o número de empresas que podem escolher de quem comprar energia.
Um mercado em expansão
O Mercado Livre de Energia vem registrando forte crescimento no Brasil. Dados do setor mostram aumento expressivo no número de unidades consumidoras que deixaram o ambiente regulado em busca de maior liberdade de contratação.
Para pequenas e médias empresas, entretanto, a decisão exige planejamento. Além de comparar preços, é necessário avaliar contratos, prazo, previsão de consumo, exposição às oscilações do mercado e possíveis riscos da contratação.
É justamente nesse espaço que empresas de gestão energética, como a Tendência, vêm ampliando sua atuação: funcionando como uma ponte entre consumidores, comercializadoras, geradoras, distribuidoras e a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

imagem: iStock
Como está a geração de energia no Brasil
O Brasil tem uma matriz elétrica diversificada, com participação de fontes como hidrelétrica, solar, eólica e térmica. Os dados mais recentes do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) mostram que a geração varia entre as regiões do país, com destaque para a energia solar no Nordeste e no Sudeste/Centro-Oeste e para a geração hidráulica no Sul e no Sudeste. Essa diversidade de fontes ajuda a atender à demanda de energia e também influencia as opções disponíveis para consumidores no mercado livre.
No Sudeste/Centro-Oeste, a geração chegava a 41.153,6 MW, enquanto o Nordeste registrava 27.727 MW. A geração solar se destacava nas duas regiões, com 16.354,5 MW no Sudeste/Centro-Oeste e 13.869,3 MW no Nordeste. No Sul, a geração hidráulica alcançava 10.820,9 MW. Os números ajudam a dimensionar a estrutura do sistema elétrico que sustenta o mercado de energia no país.

Reclamações também fazem parte do cenário do setor
Além dos preços e das opções de contratação, a relação com o consumidor também é um indicador importante no setor de energia. Dados do Procon permitem acompanhar o número de reclamações registradas, o percentual de demandas solucionadas e os casos que não são resolvidos na etapa inicial. Em 2024, por exemplo, a CPFL Energia registrou aumento nas reclamações no Procon-SP e apresentou índice de solução de 18%. Entre os principais problemas relatados estavam interrupções no fornecimento, cortes por suposta inadimplência, cobranças de juros e multas e questões relacionadas à qualidade do serviço.
Sustentabilidade também entra na conta
Além da redução de custos, a origem da energia passou a ganhar importância nas decisões empresariais.
A Tendência trabalha com soluções relacionadas à energia renovável e certificados como o I-REC, instrumento utilizado para rastrear e comprovar a origem renovável da eletricidade consumida.
A discussão conecta o Mercado Livre a outra agenda das empresas: como reduzir custos sem abandonar compromissos ambientais e metas de sustentabilidade.
Mercado Livre de Energia: a economia na conta de luz depende de uma boa negociação?
Com reduções médias de 20%, abertura do setor elétrico atrai pequenas e médias empresas, mas exige atenção aos riscos contratuais e à escolha dos fornecedores. A possibilidade de negociar fornecedor, preço, prazo e condições de contratação transformou a gestão financeira de empresas no Brasil.
Desde a ampliação regulatória que permitiu a todos os consumidores conectados em alta tensão migrarem para o Ambiente de Contratação Livre (ACL), pequenas e médias companhias passaram a buscar no Mercado Livre uma alternativa ao modelo tradicional das distribuidoras. A promessa de redução de custos é expressiva, mas a economia real depende de fatores conjunturais e de um planejamento técnico rigoroso.
O tamanho da economia e a dinâmica de mercado
Embora o fator financeiro seja o principal motor da migração, os percentuais obtidos variam conforme o perfil de consumo, a localização geográfica e o momento da contratação.
“A economia é baseada no momento da contratação da energia. Quando estamos passando por um bom momento de mercado, com os reservatórios hídricos cheios, os preços tendem a ficar mais competitivos. Com isso, conseguimos excelentes descontos, podendo chegar até acima de 35%”, explica Wanderley Moreira Junior, sócio-diretor da consultoria Tendência Energia. “Como o mercado é bem volátil, trabalhamos com uma média de economia na casa dos 20%.”
Gestão independente e mitigação de riscos
Para operar no ACL, é necessário compreender os papéis de cada agente: a distribuidora entrega a energia física pelo fio; a geradora produz a eletricidade; a comercializadora compra e vende contratos; e a gestora atua como consultoria técnica do consumidor final junto à Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).
A migração envolve riscos operacionais, como o dimensionamento incorreto da demanda contratada (que pode gerar penalidades por sobra ou déficit de energia) e o risco de contraparte no fornecimento.
“É fundamental saber de onde vem a energia contratada. Hoje existe um cenário de forte instabilidade e liquidação de algumas comercializadoras no mercado. Por segurança, trabalhamos apenas com geradoras”, alerta Moreira Junior. A consultoria, que cresceu 60% desde a abertura de 2024 e gerencia mais de 50 megawatts médios em 1.000 unidades consumidoras, adota um modelo de success fee. “Nossa remuneração é baseada em um percentual sobre o ganho real do cliente, garantindo isenção na escolha das geradoras parceiras, como a EDP“, reforça Wanderley Moreira Junior.

Sustentabilidade e o futuro do consumo
Além da redução de despesas fixas, o apelo ambiental ganhou centralidade nas decisões corporativas. A rastreabilidade da origem renovável via certificados I-REC atende às metas de descarbonização e aos compromissos de sustentabilidade das empresas.
“O consumo de energia renovável é uma grande preocupação dos empresários, principalmente para agregar valor aos seus produtos através do ESG”, destaca o executivo.
A projeção do setor é de que a abertura gradual alcance no futuro os consumidores de baixa tensão (microempresas e residências), replicando a lógica de portabilidade da telefonia. A expectativa é que essa liberação injete bilhões de reais na economia ao baratear o custo operacional produtivo no país.
Por Daniela Gentil | Revisão: Laís Queiróz
VEJA TAMBÉM: Petrobras quer ampliar aposta em etanol, biodiesel e energia limpa



