Endividamento das famílias cresce em São Paulo e acende sinal de alerta no início do ano

Nível de dívidas avança em todas as faixas de renda, impulsionado pelo maior uso do crédito

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O bolso do paulistano começou o ano mais apertado. Dados divulgados pela FecomercioSP indicam que o percentual de lares com algum tipo de dívida aumentou de 70%, em fevereiro, para 71,1%, em março.

Atualmente, a metrópole contabiliza cerca de 3,2 milhões de famílias endividadas. Já a inadimplência avançou, atingindo 20,9% da população, somando 940 mil lares no vermelho.

Divulgação: FecomércioSP

Crédito caro pesa mais no bolso

O cartão de crédito continua sendo o principal responsável pelo endividamento, concentrando a maior parte das dívidas das famílias paulistanas (79,3%). Além dele, aparecem o financiamento imobiliário (16%), o crédito pessoal (12,3%) e o financiamento de veículos (10,5%). Já o crédito consignado alcançou o maior patamar desde outubro de 2024, atingindo 5,8%.

Perfil dos endividados

O nível de inadimplência possuiu crescimento registrado em todas as faixas de renda. No grupo de menor renda, a inadimplência passou de 25,2% para 25,6%. Já no grupo de maior renda, a taxa aumentou de 8,6% para 9,2%.

Em relação ao nível de endividamento, a proporção entre as famílias com renda inferior a dez salários mínimos atingiu 74,5%, enquanto entre aquelas com rendimentos superiores foi de 61,3%. Os índices  registrados foram maiores que os de fevereiro em ambos os grupos (73,5% e 59,8%, respectivamente) e em março de 2025 (73,3% e 57,2%).

Tempo médio das dívidas 

Apesar do aumento no número de devedores, a FecomercioSP aponta um dado que chama a atenção: a parcela da renda comprometida com dívidas caiu para 26,7%, um dos patamares mais baixos da série histórica. Outro dado que indica maior prudência dos devedores é o recuo no tempo médio de comprometimento com a dívida, que baixou de 7 para 6,8 meses.

Intenção de serviços 

Também aumentou a quantidade de famílias que pretendem recorrer a crédito ou financiamento nos próximos três meses, passando de 10,8% para 11,4%. Entre elas, 83% declararam que devem utilizar os recursos para consumo e aquisições, frente a 81,2% no período anterior.

O PIX continua sendo a modalidade considerada mais vantajosa, com 29,7%. Em seguida, surge o cartão de crédito parcelado, com 23,6%.

Impacto natalino

A FecomercioSP destacou ainda a queda no primeiro e o crescimento no segundo, o que pode indicar menor disponibilidade de saldo em conta para compras e maior necessidade de utilização de crédito. Com o término do período natalino e das promoções de início de ano, fase em que os varejistas estimularam pagamentos via PIX com descontos atrativos, os padrões de uso de crédito e dinheiro tendem a se readequar, contribuindo para explicar esse comportamento.

Por Arthur Moreira e Daniela Gentil

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