Irã deve executar manifestante de 26 anos nesta quarta-feira; repressão deixa centenas de mortos

Entidades de direitos humanos alertam para falta de transparência em sentença contra Erfan Soltani; ONU se diz "horrorizada" com violência no país

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O governo do Irã deve executar, nesta quarta-feira (14), o jovem Erfan Soltani, de 26 anos, preso por participação nos protestos que atingem a cidade de Karaj. De acordo com a organização de direitos humanos Hengaw, as autoridades iranianas comunicaram à família que a sentença de morte é definitiva. Relatos de parentes indicam que o jovem não teve acesso a advogados e pôde receber uma visita de apenas 10 minutos antes da data marcada para o enforcamento.

A rapidez do processo judiciário gerou críticas internacionais. A Hengaw classificou o tratamento do caso como “apressado e pouco transparente”, sugerindo que a pena está sendo utilizada como instrumento para reprimir a insatisfação popular. Embora a mídia estatal iraniana não tenha confirmado a sentença, tribunais especializados foram designados pelo Judiciário para lidar com os manifestantes.

Escalada de violência e crise humanitária

Entidades de Direitos Humanos afirmam que a situação no Irã é de extrema gravidade. O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, afirmou estar “horrorizado” com a repressão aos protestos pacíficos. O balanço de vítimas é impreciso devido ao isolamento digital imposto pelo regime, mas os números são alarmantes:

  • Mortes: Um membro do governo iraniano informou à Reuters que o total de óbitos pode chegar a 2.000 pessoas.
  • Dados de ONGs: O grupo HRANA contabiliza 538 mortos e mais de 10.670 prisões até o último domingo (11).
  • Confronto: A polícia iraniana confirmou que “escalou o nível de confronto” contra os manifestantes.

Raízes da insatisfação

As manifestações eclodiram no final de dezembro, motivadas inicialmente pela crise econômica e pela alta da inflação que fez o preço dos alimentos básicos disparar da noite para o dia. No entanto, a pauta evoluiu para pedidos pelo fim do regime dos aiatolás.

O cenário de instabilidade também gerou tensões diplomáticas. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou uma intervenção militar caso a violência contra civis continue. Em contrapartida, o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, acusou os EUA e Israel de incitarem a desordem no país.

Por Marília Duarte | Revisão: Daniela Gentil

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