Macron chama Putin de “predador” e duvida de acordo para encerrar guerra na Ucrânia

Após reunião em Washington, presidente francês reforça desconfiança sobre negociações de paz e alerta para ameaça à segurança europeia

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O presidente da França, Emmanuel Macron, descreveu o líder russo Vladimir Putin como um “predador”, um “ogro às nossas portas” e uma “força desestabilizadora” na Europa. A declaração foi feita nesta terça-feira (19), em entrevista à emissora europeia, após encontros em Washington, nos Estados Unidos.

Na segunda-feira (18), Macron participou de reunião na Casa Branca, seguida de um jantar com o presidente americano, Donald Trump, e outros líderes europeus. O encontro tratou da possibilidade de uma reunião trilateral entre Volodymyr Zelenski (Ucrânia), Trump e Putin, como tentativa de avançar em um acordo para encerrar a guerra, que já dura três anos e meio desde a invasão russa em 24 de fevereiro de 2022.

O francês, no entanto, demonstrou descrença na efetividade de qualquer negociação com o Kremlin. Segundo ele, “Putin raramente honrou seus compromissos” e a Rússia “não voltará à paz e a um sistema democrático aberto da noite para o dia”.

Macron destacou que a continuidade da guerra serve à própria sobrevivência política do presidente russo:

“Inclusive para sua própria sobrevivência, ele precisa se alimentar dessa situação. É assim. E por isso ele é um predador, um ogro às nossas portas”, disse.

O presidente também alertou que a ameaça vai além da Ucrânia:

“Não estou dizendo que a França será atacada amanhã, mas é uma ameaça para os europeus (…). Não devemos ser ingênuos.”

Diante do impasse, a União Europeia convocou uma reunião virtual de emergência ainda nesta terça-feira (19) para avaliar o cenário e discutir as tratativas de paz. Apesar disso, Macron afirmou não acreditar em uma solução imediata.

Do lado russo, o chanceler Sergei Lavrov declarou que qualquer encontro entre Putin e Zelenski deve ser preparado “com muito cuidado”. Já o presidente ucraniano reiterou estar pronto tanto para uma reunião bilateral com Moscou quanto para uma trilateral com os Estados Unidos. Macron, por sua vez, defendeu a participação direta de líderes europeus no processo.

Por Daniela Gentil | Revisão: Laís Queiroz 

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