Lula sanciona reajuste do Legislativo e veta extras acima do teto

Texto prevê aumento a partir de 2026 para servidores da Câmara, do Senado e do TCU, mas exclui dispositivos que poderiam romper o teto constitucional

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, nesta terça-feira (17), o projeto que concede reajuste salarial aos servidores do Legislativo federal e do Tribunal de Contas da União (TCU). A sanção, no entanto, veio acompanhada de vetos a dispositivos que, segundo o governo, poderiam gerar despesas acima do teto constitucional do funcionalismo público, hoje estimado em cerca de R$ 46,3 mil mensais.

A medida será oficialmente publicada no Diário Oficial da União desta quarta-feira (18). O texto havia sido aprovado pelo Congresso Nacional e estabelece que os reajustes entrem em vigor a partir de 2026.

Entre os pontos mantidos na sanção está a criação da Gratificação de Desempenho e Alinhamento Estratégico, que substitui as atuais gratificações de desempenho. De caráter remuneratório, o novo benefício ficará sujeito ao teto constitucional. O projeto também reconhece as carreiras da Câmara, do Senado e do TCU como carreiras típicas de Estado.

No Tribunal de Contas da União, a legislação ainda promove mudanças estruturais, como a ampliação do número de cargos, a elevação dos níveis das funções de confiança e a exigência de formação em nível superior para todos os cargos do órgão.

 O que ficou de fora

Apesar dos avanços, Lula vetou trechos que previam aumentos escalonados para os anos de 2027, 2028 e 2029, o pagamento retroativo de despesas continuadas e a criação de licença compensatória passível de conversão em dinheiro. De acordo com o Palácio do Planalto, esses mecanismos poderiam resultar em remunerações acima do limite constitucional.

A justificativa para os vetos está na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), que proíbe a criação de despesas obrigatórias nos dois últimos quadrimestres do mandato presidencial que não possam ser integralmente executadas até o fim do governo, em dezembro.

Com isso, o governo preserva o reajuste e parte das mudanças nas carreiras, mas impede a adoção de benefícios considerados incompatíveis com as regras fiscais e o teto salarial do serviço público.

Por João Vitor Mendes | Revisão: Daniela Gentil

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