As famílias indígenas Kaingang, oriundas de Farroupilha (RS), foram violentamente reprimidas pela Brigada Militar na última segunda-feira (25) em Canela, na Serra Gaúcha. O grupo vendia artesanatos ao lado da Catedral de Pedra quando foi surpreendido pela chegada do pelotão de choque, acionado pela prefeitura.
Um vídeo que circula nas redes sociais mostra a violência policial contra o indígena Silvério Ribeiro, imobilizado por cerca de cinco agentes que o atingiram com chutes, socos e joelhadas antes de algemá-lo. Nas imagens, é possível ouvir gritos de dor, enquanto outros policiais mantinham guarda com escudos e armas. Outro indígena que filmava a cena também foi intimidado.
Segundo informações do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), essa não é a primeira vez que indígenas sofrem repressão em Canela. Em outras ocasiões, artesanatos foram apreendidos e famílias expulsas da cidade por ordem da administração municipal. A venda de produtos é um dos principais meios de sobrevivência dos Kaingang, mas, de acordo com o Cimi, o turismo de alto padrão na região tem excluído e criminalizado os povos originários.
Em nota, o Cimi Regional Sul repudiou a ação da Brigada Militar, classificando-a como “cruel e covarde”. O conselho destacou que a prática reforça o racismo estrutural que marca o turismo da Serra Gaúcha, voltado às elites, e pediu providências imediatas do Ministério Público Federal (MPF) para garantir a responsabilização dos agentes e da prefeitura.
“Seria função da Brigada Militar reprimir pessoas que comercializam seus produtos artesanais? Essa é a missão destinada aos brigadianos?”, questiona o documento.
Até o momento, a Brigada Militar não se manifestou sobre o ocorrido nem informou se haverá procedimentos internos contra os policiais envolvidos. Já a Prefeitura de Canela não respondeu aos nossos questionamentos.
Por João Vitor Mendes | Revisão: Daniela Gentil
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