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O que esperar das eleições de 2026? Polarização, segurança e economia devem dominar a disputa presidencial

​Especialistas ouvidos pelo MD News projetam cenário de continuidade institucional, mas alertam para fragmentação da direita e ceticismo do eleitor

O ano de 2026 promete ser quente no noticiário político, marcado pelas eleições gerais de outubro. Milhões de brasileiros irão às urnas para definir o futuro do Legislativo, dos governos estaduais e da Presidência da República.

​Para entender as forças que moldarão a disputa que se inicia, o MD News conversou com quatro especialistas: Elias Tavares, cientista político e estrategista eleitoral; Deysi Cioccari, doutora em Ciência Política e analista; Marcela Machado, doutora em Ciência Política pela UnB; e Murilo Medeiros, cientista político da UnB.

Cenário político: polarização persiste, mas perde força emocional

Na avaliação dos especialistas, o Brasil chega a 2026 ainda sob forte polarização política, embora com menor intensidade emocional do que em eleições anteriores.

Segundo Elias Tavares, o ambiente segue binário. A esquerda, afirma, chega mais organizada, com um projeto político definido e um candidato natural à reeleição. Já a direita aparece fragmentada, sem consenso sobre uma liderança capaz de unificar o campo oposicionista.

“A direita aparece fragmentada e sem consenso sobre quem liderará o campo oposicionista. Há muitos nomes colocados — Flávio Bolsonaro, Tarcísio de Freitas, Ratinho Junior, Romeu Zema —, o que, neste momento, mais atrapalha do que ajuda. Essa dispersão cria uma vantagem política para o presidente Lula”, avalia Tavares.

Deysi Cioccari concorda, mas acrescenta um componente de “fadiga“. Segundo ela, o governo enfrenta dificuldades para transformar capital político em entregas concretas, operando mais no campo simbólico. “O campo bolsonarista segue relevante, mas fragmentado, sem uma liderança incontestável capaz de reproduzir o carisma de Jair Bolsonaro”, pontua.

​Ela alerta para o humor do eleitorado: “O Brasil caminha para 2026 com muito ruído e um eleitorado mais cético. Isso torna o cenário volátil e aberto a surpresas, especialmente para quem souber explorar o ressentimento difuso da sociedade”.

​Para Murilo Medeiros, da UnB, há um paradoxo. “Lula carrega uma rejeição elevada e estabilizada, que atravanca sua expansão, mas a oposição não consegue criar uma alternativa eleitoral agregadora”, analisa. Já Marcela Machado vê um cenário ainda em construção, onde “a avaliação do governo, a economia do dia a dia e a narrativa nas redes pesarão muito”.

Continuidade ou ruptura?

​Questionados se a eleição marcará uma ruptura em relação a 2022, os analistas convergem para a ideia de manutenção, sobretudo no plano institucional.

​”O perfil do Legislativo deve se manter semelhante ao atual, com força do centrão e pouca mudança estrutural”, afirma Elias Tavares. Ele nota uma leve vantagem da esquerda na disputa presidencial, creditada mais à organização política do que ao entusiasmo popular.

​Deysi Cioccari reforça que a polarização segue estruturando o sistema, ainda que com menor intensidade emocional do que em 2018. “Onde pode haver algum grau de ruptura é na forma da disputa, não no conteúdo. O eleitor está mais cansado, menos ideológico e sensível a discursos de eficiência, o que pode abrir espaço para outsiders. Tenho dito que 2026 deve ser o ano da gestão”.

Marcela Machado segue a mesma linha. “A tendência é mais de continuidade com ajustes. A disputa nacional pode seguir parecida, mas os resultados tendem a variar bastante nos estados e no Congresso. No Brasil, as mudanças costumam acontecer de forma desigual”, explica.

​No Congresso, Murilo Medeiros prevê o fortalecimento da centro-direita, impulsionada por emendas e fundo eleitoral. “No âmbito nacional, podemos presenciar algo muito próximo de um terceiro turno da eleição de 2022”, resume.

Segurança e economia devem dominar o debate

Há consenso entre os especialistas de que segurança pública e economia serão os principais temas da campanha.

A frustração com o funcionamento do Estado se traduz em debates sobre custo de vida e eficiência. Mais do que ideologia, o eleitor deve reagir à percepção de que o Estado é caro e lento“, diz Deysi.

​Medeiros destaca que a segurança pública será o grande ativo da oposição. “Sob o mantra da ordem, é um tema capaz de unificar o conservadorismo e aprofundar a rejeição ao governo Lula em segmentos urbanos que convivem com a criminalidade”, afirma. Marcela Machado completa: “São temas que atravessam posições ideológicas e organizam a escolha do eleitor”.

Polarização e terceira via 

Apesar do cansaço com a polarização, a chamada “terceira via” continua sendo uma incógnita. “Neste momento, ela simplesmente não existe de forma viável”, crava Elias Tavares. Para Marcela Machado, um nome alternativo só surgiria de um “cansaço real com os polos”, o que ainda não se consolidou.

​Por fim, o alerta geral recai sobre a desinformação, agora turbinada pela Inteligência Artificial. “Deepfakes e montagens hiper-realistas têm potencial de destruir reputações em horas”, avisa Tavares.

Marcela Machado finaliza lembrando que a chave das redes é a emoção: “As redes continuam sendo um fator decisivo, não só pela desinformação, mas pela velocidade. É ali que boa parte da disputa de narrativa acontece”.

​Murilo Medeiros teme que o uso irresponsável da IA reforce bolhas ideológicas, enquanto Marcela lembra que a chave das redes não é apenas a mentira, mas a emoção. “É ali, na velocidade e na lógica de engajamento, que boa parte da disputa de narrativa acontece”, conclui.

Na próxima reportagem da série especial do MD News continua mergulhando nos bastidores de 2026. Nossos analistas respondem às perguntas que definirão o jogo: as disputas nos estados têm força para decidir o presidente? Como o anúncio da candidatura de Flávio Bolsonaro redefine o tabuleiro da oposição? E ainda: o peso da avaliação do governo federal e o perfil do eleitor que vai às urnas — ele está mais ideológico ou votará com o bolso? Não perca a análise sobre se teremos um voto de paixão ou de pragmatismo.

Por: Arthur Moreira | Revisão: Redação

VEJA TAMBÉM: Michelle aponta Bolsonaro como a única alternativa da direita para 2026

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Marcia Dantas

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