A Organização das Nações Unidas (ONU) subiu o tom nesta terça-feira (6) contra a intervenção militar dos Estados Unidos em Caracas, que resultou na prisão de Nicolás Maduro. De acordo com a porta-voz do escritório de direitos humanos do órgão, Ravina Shamdasani, a incursão norte-americana violou de forma direta o Artigo 2º da Carta da ONU, que proíbe o uso da força contra a integridade política e territorial de nações soberanas.
A operação, conduzida no último sábado (3) pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mobilizou 150 aeronaves em um ataque que forçou a entrada de unidades de elite no esconderijo do ex-líder venezuelano. Para a ONU, a iniciativa prejudica a estabilidade global ao sugerir que nações poderosas podem ignorar normas multilaterais para atingir seus objetivos.
Conflito de narrativas e repercussão global
Enquanto a comunidade internacional, liderada por críticas severas da Rússia e da China, classifica o episódio como um ato de “bullying” e desrespeito à segurança internacional, a Casa Branca defende a legalidade da medida. O argumento de Washington é que a entrada do Exército em solo estrangeiro foi necessária para cumprir mandados de prisão expedidos pelo Departamento de Justiça por crimes de narcoterrorismo e tráfico de cocaína.
Maduro, que já se encontra em solo norte-americano ao lado de sua esposa, Cilia Flores, foi levado a uma audiência em Nova York na última segunda-feira (5), onde declarou-se inocente de todas as acusações.
O novo cenário político em Caracas
Após a captura de Maduro, a Venezuela passou a ser liderada interinamente por Delcy Rodríguez, que atuava como vice-presidente do país e é considerada quadro histórico do chavismo e mulher de confiança do presidente sequestrado Nicolás Maduro. Rodríguez foi nomeada pelo Tribunal Supremo de Justiça, já foi reconhecida pelas Forças Armadas do país e deve permanecer no cargo por pelo menos 90 dias.
Donald Trump afirmou, em entrevista recente, que mantém um canal de comunicação forte com a nova liderança venezuelana por intermédio do secretário de Estado, Marco Rubio, e condicionou a suspensão de novos ataques à colaboração contínua do governo interino.
Por Marília Duarte | Revisão: Daniela Gentil
VEJA TAMBÉM: Segundo Estatuto da FIFA, Estados Unidos não podem sediar a Copa do Mundo de 2026




