De acordo com pesquisas recentes que analisam a reversão do chamado “Efeito Flynn”, fenômeno que descreveu o aumento contínuo do QI ao longo do século XX, a Geração Z, geralmente definida como os nascidos entre 1995 e 2012, está no centro de um debate global.
Estudos baseados em testes padronizados aplicados na Europa e nos Estados Unidos indicam que, pela primeira vez em décadas, os indicadores médios de QI podem ter registrado queda e estagnação em comparação com as gerações anteriores.
Levantamentos baseados em testes padronizados indicam que habilidades como raciocínio lógico, resolução de problemas matemáticos e interpretação de textos complexos vêm apresentando redução média entre jovens adultos.
Especialistas alertam que o QI é apenas um dos muitos indicadores de capacidade cognitiva e não mede inteligência de forma ampla ou absoluta. Ainda assim, a mudança no padrão histórico chamou a atenção da comunidade acadêmica.
Tecnologia e atenção fragmentada
Um dos fatores frequentemente apontados é o impacto do ambiente digital. A Geração Z é a primeira a crescer totalmente imersa em smartphones, redes sociais e consumo rápido de conteúdo.
A exposição constante a estímulos curtos pode estar associada à redução da capacidade de concentração prolongada e ao menor aprofundamento em leituras extensas. Por outro lado, essa mesma geração demonstra habilidades ampliadas em multitarefa, comunicação digital e navegação tecnológica.
Outro ponto levantado é a transformação no modelo de ensino. Reformas curriculares, métodos pedagógicos mais flexíveis e a própria pandemia, que interrompeu aulas presenciais em diversos países, são considerados elementos que podem ter afetado o desempenho acadêmico em testes tradicionais.
Há também o argumento de que os testes de QI foram desenvolvidos em contextos culturais específicos e podem não refletir plenamente as competências exigidas na era digital.
Mudanças culturais e novas formas de adaptação
Para parte dos especialistas, a discussão não deve se limitar à ideia de “geração mais inteligente” ou “menos inteligente”. O conceito de inteligência evolui com o tempo, assim como as demandas sociais.
A Geração Z tende a apresentar maior fluidez digital, pensamento visual acelerado, capacidade de adaptação tecnológica e consciência social ampliada. Essas características nem sempre são captadas por métricas tradicionais.
A possível reversão do Efeito Flynn reacende o debate sobre educação, saúde mental, estímulos digitais e desigualdades sociais. Ao mesmo tempo, mudanças tecnológicas e culturais estão transformando a forma de aprender, pensar e interagir. Novos estudos devem aprofundar as causas e consequências dessa tendência nos próximos anos.
Por: Lais Pereira da Silva | Revisão: Pietra Gomes
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