O uso de medicamentos conhecidos como “canetas emagrecedoras” tem despertado atenção das autoridades de saúde após relatos de casos de pancreatite associados ao seu uso. Embora o risco seja considerado raro, especialistas e órgãos reguladores reforçam a necessidade de monitoramento e de uso sob orientação médica.
O alerta ganhou destaque após comunicado da Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde do Reino Unido (MHRA), que apontou a pancreatite aguda como um efeito colateral conhecido, porém pouco frequente, dos medicamentos da classe dos agonistas do GLP-1, utilizados no tratamento do diabetes tipo 2 e no controle do peso. Entre 2007 e 2025, foram registrados mais de 1,2 mil casos da doença relacionados ao uso desses fármacos, incluindo 19 mortes.
Situação no Brasil
No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) também acompanha os possíveis efeitos adversos desses medicamentos. A agência informou que houve aumento de notificações de casos de pancreatite associados ao uso de agonistas do GLP-1, embora ainda não seja possível estabelecer uma relação direta entre os fármacos e todos os registros.
Dados da farmacovigilância indicam a existência de casos suspeitos e mortes em investigação relacionados ao uso dessas substâncias. A Anvisa alerta que o risco pode ser maior quando os medicamentos são utilizados fora das indicações aprovadas, sem acompanhamento médico ou em doses inadequadas, prática que tem se tornado mais comum com a popularização dessas terapias.
Risco raro, mas potencialmente grave
A pancreatite é uma inflamação do pâncreas que pode provocar sintomas como dor abdominal intensa e persistente, náuseas e vômitos. Em casos mais graves, o quadro pode evoluir para complicações severas, exigindo atendimento médico imediato.
Segundo autoridades de saúde, o risco de desenvolver esse tipo de complicação é considerado baixo, mas não pode ser ignorado. Por isso, médicos e pacientes devem estar atentos aos sinais iniciais da doença e buscar avaliação clínica ao perceber sintomas suspeitos.
Popularização e debate sobre o uso
Os medicamentos injetáveis para perda de peso ganharam popularidade nos últimos anos, impulsionados pela eficácia no controle do apetite e na redução do peso corporal. O crescimento do consumo, no entanto, amplia a necessidade de estudos sobre efeitos adversos e segurança a longo prazo.
Especialistas destacam que, embora esses medicamentos sejam considerados eficazes para muitos pacientes, seu uso exige acompanhamento médico rigoroso, especialmente em pessoas com histórico de doenças metabólicas ou pancreáticas.
O debate sobre segurança e uso responsável também se intensifica. Para especialistas, o fenômeno evidencia a busca por soluções rápidas para emagrecimento e reforça a importância de estratégias integradas de saúde, que combinem tratamento médico, mudanças de hábitos alimentares e estímulo à atividade física.
Autoridades regulatórias ressaltam que, para a maioria dos usuários, os medicamentos continuam sendo considerados seguros quando utilizados corretamente. No entanto, o monitoramento constante e a informação adequada são fundamentais para reduzir riscos e garantir o uso responsável dessas terapias.
Por: Lais Pereira da Silva | Revisão: Daniela Gentil
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