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Dia Mundial do Câncer: atraso no diagnóstico ainda custa anos de vida, alerta oncologista

Dra. Daniélle Amaro destaca que sintomas ignorados, falhas no rastreamento e hábitos de risco ainda transformam tumores curáveis em doenças avançadas, com impacto direto na longevidade

No Dia Mundial do Câncer, a médica oncologista e cofundadora do canal Longevidade,  Dra. Daniélle Amaro, reforça que o tempo segue sendo um dos principais fatores que definem o prognóstico da doença. 

Segundo a especialista, atrasos na investigação de sintomas persistentes e na realização de exames preventivos ainda são responsáveis por diagnósticos tardios, tratamentos mais agressivos e perda de qualidade de vida.

Tipos de câncer mais frequentes

De acordo com a médica, alguns tumores seguem liderando os atendimentos nos consultórios oncológicos.

“No consultório oncológico, é muito comum atender câncer de mama, tumores ginecológicos (especialmente ovário, endométrio e colo do útero), próstata, colorretal e pulmão. Apesar de o Cancêr de Pele também ser bem comum, ele aparece mais primeiramente para os dermatologistas.” disse a oncologista para o MD News.

Ela explica que a incidência está ligada a fatores populacionais e falhas no cuidado preventivo.

“Eles são tão incidentes porque resultam da combinação entre envelhecimento populacional, exposição prolongada a fatores de risco comuns e, em alguns casos, falhas no rastreamento e no diagnóstico precoce.”

A oncologista também relativiza o peso da herança genética: “O fator genético que muitos acreditam ter um grande peso é o menos incidente correspondendo em média a apenas 10% dos diagnósticos.”

Sintomas que costumam ser ignorados

Segundo a especialista, os sinais iniciais do câncer frequentemente são subestimados.

“Os sinais mais ignorados costumam ser aqueles considerados ‘comuns’ ou atribuídos ao estresse, idade ou alterações hormonais.”

Entre os principais alertas estão:

“Sangramento vaginal fora do período menstrual ou após a menopausa; Distensão abdominal persistente, sensação de estufamento ou aumento do volume abdominal; Dor pélvica ou abdominal persistente; Alterações do hábito intestinal que não melhoram; Perda de peso sem explicação; Cansaço persistente; Nódulos que não desaparecem; Sangramento nas fezes ou urina; Manchas na pele de rápida evolução, que mudam de padrão ou que sangram.”

Ela reforça: “A persistência e a progressão desses sinais são o principal alerta.”

Tempo entre sintomas e diagnóstico

A Dra. Daniélle afirma que o intervalo entre o início dos sintomas e a investigação médica pode mudar completamente o cenário clínico.

“Depende do tipo de tumor e da biologia, mas em termos práticos: meses podem fazer diferença, e em alguns cânceres, semanas mudam conduta (por exemplo, tumores agressivos).”

Ela acrescenta: “Em outros, a evolução é mais lenta, mas o atraso transforma um caso tratável com cirurgia e intenção curativa em um cenário que exige tratamento prolongado e mais complexo.”

E resume: “A mensagem-chave é: não é preciso pânico, mas adiar investigação de sintomas persistentes é arriscado.”

Hábitos de risco e câncer em jovens

A oncologista destaca a relação direta entre estilo de vida e câncer.

“Sim, existe relação direta entre vários cânceres frequentes e hábitos que encurtam a vida: tabagismo, álcool, excesso de peso, sedentarismo, dieta ultraprocessada/pobre em fibras, exposição solar sem proteção e algumas infecções preveníveis (como HPV e hepatites).”

Ela também aponta mudanças no perfil etário da doença.

“Sobre o câncer em jovens há percepção e dados em alguns países de aumento de câncer colorretal de início precoce e de alguns outros tumores em faixas etárias mais baixas.”

E alerta: “A conclusão prática é objetiva, sintomas em jovens não devem ser desvalorizados só pela idade.”

Diagnóstico precoce e qualidade de vida

Segundo a médica, identificar o câncer em fases iniciais muda não apenas a chance de cura, mas todo o impacto do tratamento.

“Influência enorme. Diagnóstico precoce aumenta chance de cura e, frequentemente, permite tratamentos menos agressivos: cirurgias menores, menos necessidade de quimioterapia/radioterapia, menos sequelas e maior preservação da funcionalidade.”

Ela complementa: “Mesmo quando não é ‘cura’, detectar cedo pode significar mais anos de vida com qualidade, com menor carga de sintomas e complicações.”

Exames mais negligenciados

Entre os exames preventivos mais ignorados, a especialista cita:

“Rastreamento de câncer colorretal (teste de sangue oculto/colonoscopia conforme indicação); Papanicolau com seguimento adequado para Câncer de colo do útero; Mamografia nas idades recomendadas e acompanhamento de achados; Avaliação de pele em pessoas de risco (sol intenso, histórico familiar, muitas pintas); Controle e rastreio de hepatites em grupos de risco para câncer de fígado.”

Ela alerta que o abandono do seguimento é comum.

“Um ponto crítico é que muita gente até faz o exame, mas não faz o seguimento quando dá alterado.”

E acrescenta: “Podemos ter casos de negativa dos pacientes em realizar as triagens por medo ou preconceito direcionado aos exames. Nessa caso, é fundamental que os profisisonais de saúdes esteja abertos a acolher o paciente, elucidar as dúvidas e abordar as inseguranças.”

Medo e diagnóstico tardio

Para a oncologista, o medo ainda é um dos principais entraves.

“Sim. O medo ainda é um dos maiores atrasadores.”

Ela explica: “Muitas pessoas evitam exames por ansiedade, por experiências familiares, por estigma ou por achar que ‘é melhor não saber’.”

E conclui: “Mas a realidade é: descobrir cedo quase sempre significa mais opções, tratamentos mais simples e mais chance de cura. O desconhecido costuma ser mais assustador do que o diagnóstico bem conduzido.”

Alerta final

A Dra. Daniélle deixa um recado direto para quem busca longevidade.

“O mais importante é não esperar sentir algo ‘grave’ para agir.”

E finaliza: “Longevidade não é só viver mais, é viver esses anos com autonomia, e isso passa por encarar a prevenção como parte da rotina.”

Por Arthur Moreira | Revisão: Daniela Gentil

VEJA TAMBÉM: Janeiro Roxo: hanseníase segue ativa no Brasil e estigmas ainda atrasam diagnóstico

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Marcia Dantas

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