A autorização para que Michelle Bolsonaro visite o ex-presidente Jair Bolsonaro neste domingo (23) acrescenta um novo capítulo à tensa rotina política e jurídica que envolve o ex-mandatário desde sua prisão preventiva, cumprida na manhã de sábado (22). A decisão foi assinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), responsável pelos processos que apuram violações atribuídas ao ex-presidente.
A visita foi formalmente autorizada para ocorrer entre 15h e 17h, dentro da Superintendência da Polícia Federal, onde Bolsonaro permanece detido desde a conversão de sua prisão domiciliar em preventiva. A decisão atende parcialmente ao pedido da defesa, que também solicitou a inclusão dos filhos do ex-presidente como visitantes, mas sem apresentar quais deles pretendiam comparecer.
Defesa deve detalhar nomes dos filhos para cadastro
No despacho, Moraes fez questão de destacar a ausência de informações específicas sobre quais dos cinco filhos de Bolsonaro desejam participar da visita. Segundo o ministro, a defesa precisa complementar o pedido para que seja realizado o devido cadastro obrigatório para o ingresso nas dependências da PF.
Essa exigência não é meramente burocrática: reflete o protocolo rígido adotado em casos de custódia preventiva, principalmente em situações envolvendo figuras públicas e processos de grande repercussão nacional.
A família Bolsonaro é composta por:
- Flávio Bolsonaro, senador
- Carlos Bolsonaro, vereador do Rio de Janeiro
- Eduardo Bolsonaro, deputado federal atualmente nos Estados Unidos
- Jair Renan Bolsonaro, vereador em Balneário Camboriú (SC)
- Laura Bolsonaro, a filha caçula do ex-presidente.
Embora todos tenham sido mencionados no pedido inicial, nenhum nome foi individualmente confirmado para a visita de domingo, condição necessária para a autorização de entrada.
Prisões e violações: o que levou Bolsonaro à custódia
Bolsonaro foi preso preventivamente após autoridades identificarem uma tentativa de violação da tornozeleira eletrônica que ele utilizava supostamente com o auxílio de um ferro de solda. O equipamento teria apresentado sinais de desgaste térmico incompatíveis com o uso natural, motivo que levou a Polícia Federal a solicitar a reavaliação imediata de seu regime de custódia.
Diante do episódio, a PF pediu a conversão da prisão domiciliar em preventiva, medida que recebeu aval da Procuradoria-Geral da República (PGR) e posterior determinação do ministro Alexandre de Moraes. Com isso, o ex-presidente deixou sua residência e passou a ser mantido na sede da PF.
A decisão reforça o entendimento de Moraes de que Bolsonaro teria violado de forma grave os termos de sua prisão domiciliar, agravando sua situação e justificando medidas mais duras de controle.
Audiência de custódia
Neste domingo (23), Bolsonaro também participará de uma audiência de custódia, prevista para ocorrer por videoconferência às 12h. O procedimento será conduzido por um juiz auxiliar e servirá para avaliar as condições de sua prisão e eventuais abusos ou irregularidades.
A audiência de custódia, nesse contexto, ganha especial relevância: poderá reforçar a legalidade da prisão ou estabelecer ajustes, embora a suspensão da preventiva seja considerada improvável diante da gravidade atribuída às condutas investigadas.
Regras rígidas para visitas na custódia da PF
A autorização concedida a Michelle Bolsonaro mantém todas as restrições padrão impostas em casos de prisão preventiva. Isso inclui horários controlados, acesso limitado e a proibição de uso de dispositivos eletrônicos ou captação de imagens, tanto por visitantes quanto pelo detido.
O objetivo é evitar a circulação indevida de informações, especialmente considerando a quantidade de processos envolvendo o ex-presidente e o peso político de seus atos e declarações. A presença de Michelle, embora permitida, deve seguir rigorosamente os protocolos internos da Polícia Federal.
Símbolos e repercussões
Mesmo com caráter privado, a visita da ex-primeira-dama carrega forte simbolismo político. Michelle tem se consolidado como figura influente entre apoiadores do ex-presidente, e sua presença na PF no domingo tende a gerar grande repercussão pública, ainda que sem cobertura direta da imprensa por conta das regras de privacidade.
Para a família, o momento tem um valor emocional evidente. Já para os aliados políticos de Bolsonaro, o encontro pode servir como mensagem de unidade em um período de desgaste intenso e incertezas jurídicas.
A autorização também reacende debates mais amplos sobre o comportamento de réus monitorados eletronicamente, limites das medidas cautelares e os desdobramentos de eventuais violações.
Com a visita confirmada e a audiência de custódia marcada, hoje se torna um dia decisivo para Bolsonaro. A defesa segue trabalhando para tentar reverter a prisão preventiva, enquanto o STF continua analisando novos desdobramentos da investigação em curso.
Para Moraes, a exigência de cadastro dos filhos indica que o ministro pretende manter rigor absoluto sobre qualquer flexibilização no regime de visitas, reforçando o entendimento de que o caso exige controle minucioso sobre todos os movimentos do ex-presidente.
A situação jurídica de Bolsonaro permanece complexa e sensível, e os próximos dias devem indicar se a defesa conseguirá algum avanço ou se novas ações judiciais aumentarão a pressão sobre o ex-presidente.
Por Alemax Melo I Revisão: Daniela Gentil
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