O avanço das redes sociais e o uso precoce de smartphones têm ampliado o debate sobre dependência digital entre crianças e adolescentes e o papel das plataformas na formação de hábitos compulsivos de uso e nos impactos sobre a saúde mental.
O tema ganhou novo destaque após o depoimento de Mark Zuckerberg, fundador e CEO da Meta Platforms, em um julgamento nos Estados Unidos que discute a responsabilidade das redes sociais no aumento de quadros de ansiedade, depressão e comportamento compulsivo entre jovens.
A empresa controla algumas das plataformas digitais mais populares do mundo, como Facebook, Instagram e WhatsApp, frequentemente citadas em pesquisas sobre tempo excessivo de tela e padrões de uso contínuo.
O que dizem estudos recentes
O design das plataformas, baseado em notificações constantes, algoritmos personalizados e conteúdos de rolagem infinita, pode estimular padrões de uso compulsivo semelhantes aos observados em outras dependências comportamentais. Um relatório da Organização Mundial da Saúde (2024) identificou que cerca de 1 em cada 10 adolescentes apresentam comportamento problemático com redes sociais, com dificuldade de controle e impacto negativo na vida cotidiana.
Revisões publicadas em periódicos científicos como o International Journal of Mental Health and Addiction, o Journal of Pediatric Nursing e a revista BMC Public Health indicam associação entre uso intenso de redes sociais e aumento de sintomas de ansiedade e depressão entre adolescentes. Os estudos ressaltam que a relação é multifatorial e envolve variáveis como supervisão, padrões de sono, comparação social e exposição a cyberbullying.

Além disso, o cérebro adolescente apresenta maior sensibilidade a recompensas imediatas e validação social, o que pode aumentar a vulnerabilidade a ciclos prolongados de engajamento digital.
Embora não haja consenso sobre causalidade direta, há convergência científica de que o uso excessivo e desregulado de redes sociais pode representar um fator de risco adicional para a saúde mental de jovens, especialmente quando associado a contextos de vulnerabilidade emocional ou social.
O avanço da dependência digital e os desafios para a proteção de jovens
O julgamento recente na Califórnia, com depoimento de Mark Zuckerberg no dia 18 de fevereiro, intensificou o debate. De um lado, executivos defendem que redes sociais não são projetadas para causar uso compulsivo e destacam ferramentas de controle e segurança; de outro, especialistas afirmam que o problema é mais amplo.
O enfrentamento passa por educação digital, regulação equilibrada e maior participação de escolas e responsáveis. A expectativa é que decisões judiciais e novas políticas públicas ajudem a definir limites mais claros de responsabilidade, consolidando a dependência digital como um dos principais desafios atuais da saúde mental juvenil.
Por Lais Pereira da Silva | Revisão: Daniela Gentil
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