Itália – A primeira-ministra Giorgia Meloni sofreu um revés político após a rejeição da reforma judicial proposta por seu governo em referendo nacional. Ao todo, 54% dos eleitores votaram contra as mudanças, em uma consulta que registrou participação de 59%.
A proposta previa alterações no sistema judicial italiano, incluindo a separação das carreiras de juízes e promotores, mudanças no Conselho Superior da Magistratura — órgão responsável pela supervisão da categoria — e novas regras para nomeações e transferências.
As medidas também previam ajustes na relação entre os poderes, com impacto sobre a atuação do Judiciário em processos políticos e administrativos.
Para críticos, as mudanças poderiam ampliar a influência do poder político sobre o sistema judicial e alterar o grau de autonomia de magistrados.
Entre os que comentaram o resultado está o deputado Angelo Bonelli, do partido Alleanza Verdi e Sinistra. Em entrevista ao MD News, ele afirmou que o resultado reforça a importância da independência do Judiciário no país.
“A vitória do ‘Não’ mostra que o povo italiano não abre mão da Constituição e da autonomia do Judiciário”, disse.
Durante a campanha, Bonelli criticou propostas do governo e defendeu a manutenção dos atuais mecanismos institucionais. Para ele, o resultado representa uma sinalização do eleitorado em defesa das instituições.
Analistas avaliam que o resultado pode influenciar o cenário político italiano nos próximos anos, especialmente diante das eleições gerais previstas para 2027. O referendo também evidencia os desafios do governo em avançar com reformas estruturais.
Por David Gonçalves, correspondente MD News na Itália | Revisão: Daniela Gentil
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