O monotrilho da Linha 17-Ouro, conhecido como “Trem da Copa”, foi planejado em 2010 como parte das obras de mobilidade para a Copa do Mundo de 2014. A promessa era melhorar o acesso ao Aeroporto de Congonhas, mas o projeto se tornou símbolo de atrasos e impasses ao longo de mais de uma década.
A inclusão no pacote da Copa ocorreu ainda no período que antecedeu o governo Dilma Rousseff, com participação do governo federal no financiamento, por meio de recursos do BNDES e do FGTS. A execução, no entanto, sempre foi de responsabilidade do governo do estado de São Paulo.
Na época, a Prefeitura era comandada por Gilberto Kassab, que participou da articulação para integrar o monotrilho ao aeroporto dentro do plano de mobilidade urbana.

A obra atravessou diferentes gestões estaduais. Geraldo Alckmin liderou a fase inicial, enquanto João Doria e Rodrigo Garcia enfrentaram o período mais crítico, marcado por paralisações e rescisões de contrato.
Em 2019, o consórcio responsável foi afastado, o que levou a uma nova licitação. Posteriormente, a fabricação dos trens foi assumida pela empresa chinesa BYD.
O atual governador, Tarcísio de Freitas, recebeu o projeto ainda incompleto e priorizou a retomada das obras. A operação assistida foi entregue em 31 de março de 2026.
Em publicação nas redes sociais, o governador ironizou os atrasos ao comentar a conclusão do projeto.
“O trem da Copa está pronto. Demorou, mas ficou pronto”, disse Tarcísio
O traçado original previa 17,7 quilômetros, ligando o Jabaquara, na Linha 1-Azul, à estação São Paulo-Morumbi, na Linha 4-Amarela, com passagem por Paraisópolis.
Na prática, foi concluído apenas o trecho prioritário, com 6,7 quilômetros e oito estações, conectando o Aeroporto de Congonhas à Linha 9-Esmeralda. Os demais trechos foram congelados ou cancelados ao longo dos anos.
A entrega ocorre 12 anos após o prazo inicial, previsto para a Copa de 2014. O custo da obra também foi revisado ao longo do período, superando a estimativa inicial de R$ 5,8 bilhões.
A conclusão acontece em ano eleitoral e amplia o peso político de uma obra marcada por atrasos e mudanças de escopo.
Por David Gonçalves | Revisão: Daniela Gentil
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