Nos tempos atuais, o mundo opera em um novo ritmo, marcado pela presença constante da tecnologia em suas múltiplas dimensões. A forma de se relacionar, trabalhar, estudar e até se entreter foi transformada por esse cenário digital. Diante dessas mudanças estruturais, a educação não poderia permanecer distante desse processo.
Educação e tecnologia são indissociáveis?
Num mundo marcado por redes, excesso de informações e mediação tecnológica constante, os modelos tradicionais de ensino mostram-se incapazes de explicar a aprendizagem. Uma vez que essa realidade veio para ficar, torna-se impossível que a educação se abstenha dessa realidade.
Ao ser aplicada com intencionalidade e planejamento pedagógico, a tendência é de resultados significativos na aprendizagem dos estudantes com o uso da tecnologia.
Na obra Educação e Tecnologias: O novo ritmo da informação (2007), a pesquisadora Vani Moreira Kenski defende que educação e tecnologia não podem ser pensadas separadamente. Para a autora, a inovação só faz sentido quando é socializada, compartilhada coletivamente.
Kenski sustenta que a tecnologia vai muito além de máquinas como computadores e celulares. Ela está presente nas formas de pensar, agir e sentir. Ou seja, molda comportamentos e reorganiza a maneira como aprendemos.
A tecnologia é uma vilã nas salas de aula?
Existe um pensamento tendencioso que imagina a tecnologia apenas como um empecilho para o desenvolvimento do ensino e aprendizagem em sala de aula. No entanto, os professores trabalham diariamente com alunos que, fora de sala de aula, vivem imersos no universo digital.

Frente a essa realidade, é necessário construir adaptações do modelo tradicional de ensino, para o contexto atual. Segundo Kenski, a maioria das tecnologias já é utilizada como apoio ao processo educativo – desde o planejamento curricular até a certificação dos alunos. No entanto, ela alerta que o uso precisa ser pedagógico e intencional. Ou seja, essa adaptação não basta ser apenas na inserção de vídeos ou plataformas digitais sem estratégia.
A tecnologia não se torna vilã, se for utilizada de forma crítica em sala de aula. Além disso, a autora reforça que a própria educação também deve ensinar sobre as tecnologias. Trata-se de uma via de mão dupla: usamos tecnologias para aprender, mas precisamos da educação para aprender a utilizá-las de forma responsável.
Por: Yasmin Barreto | Revisão: Daniela Gentil
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