O Cruzeiro apresentou oficialmente o técnico Tite nesta quarta-feira (7). Em sua primeira entrevista coletiva como comandante da equipe celeste, o treinador falou sobre o período afastado do futebol, abordou questões pessoais e detalhou os motivos que o levaram a retomar a carreira neste momento.
Pausa na carreira e recuperação pessoal
Durante a coletiva, Tite explicou que a decisão de interromper o trabalho foi necessária para reorganizar aspectos emocionais e familiares. Segundo ele, o período longe dos gramados foi fundamental para a recuperação da saúde mental e da autoestima.
“Hoje me sinto bem melhor. Estou em paz comigo, com a minha família e com as pessoas que eu gosto. Voltei a fazer aquilo que me dá prazer, que é trabalhar com futebol. Às vezes, é preciso parar para se reciclar”, afirmou.
Aos 64 anos, Tite estava sem clube desde setembro de 2024, quando foi demitido do Flamengo. Em abril deste ano, chegou a acertar verbalmente com o Corinthians, mas acabou desistindo de assumir o cargo após enfrentar uma crise de ansiedade.
O treinador também comentou sobre as exigências enfrentadas por profissionais que atuam no alto nível do futebol. Para Tite, a cobrança constante pode impactar diretamente o bem-estar mental.
“O atleta e o técnico de alto nível tem exigências e cobranças muito altas. E por isso, em alguns momentos, essas situações mentais acabam te pressionando muito”, explicou. Ele relembrou dificuldades recentes, como noites mal dormidas e a sensação de desgaste emocional, até conseguir reencontrar equilíbrio. “Encontrei paz, carinho e amor. Agora, posso desenvolver meu trabalho da forma que gosto.”
Mudanças e planejamento no Cruzeiro
Tite chega ao Cruzeiro para ocupar a vaga deixada por Leonardo Jardim, que deixou o clube por motivos pessoais. Juntamente com o treinador, também integram a comissão técnica os auxiliares Matheus Bachi e Vinicius Bergantin, além do preparador físico Fábio Mahseredjian. Bachi e Mahseredjian estavam no Santos, enquanto Bergantin vinha trabalhando no Avaí.
Em relação ao planejamento para a sequência da temporada, Tite pediu a manutenção da base do elenco e indicou a necessidade de reforços pontuais. Um dos nomes citados foi o do volante Gerson, alvo antigo da diretoria celeste.
Segundo o treinador, a possível contratação se justifica pela versatilidade do jogador. “Ele pode atuar como segundo meia, meia pela direita ou central. Jogadores assim ampliam as opções sem inchar o grupo”, explicou, citando também outros atletas do elenco que exercem múltiplas funções.
O Cruzeiro tenta contratar Gerson desde o fim do ano passado e já apresentou uma proposta de 12 milhões de euros, além da inclusão do zagueiro Jonathan Jesus. No entanto, Tite solicitou a permanência do defensor no elenco.
Relação com Gabigol
Tite não chegou a trabalhar com Gabriel Barbosa no Cruzeiro, já que o atacante foi emprestado ao Santos até o fim de 2026. Os dois possuem históricos de atritos em passagens anteriores, tanto na Seleção Brasileira, quando Gabigol ficou fora da Copa de 2022, quanto no Flamengo, onde o atacante perdeu espaço.
Questionado sobre o camisa nove, Tite preferiu não se aprofundar e adotou um discurso conciliador: “Desejo sucesso para ele. Que seja feliz e que, no momento certo, possa retornar e contribuir da melhor forma possível. Meu foco agora é no trabalho que tenho a desenvolver aqui”, concluiu.
Por: Inês Becegato | Revisão: Pietra Gomes
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