O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na segunda-feira (12), a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos de países que mantenham qualquer tipo de relação comercial com o Irã. A decisão pode afetar diretamente o Brasil, que figura entre os principais parceiros comerciais do país persa.
Segundo dados de comércio exterior, o Irã importou mais de US$ 3 bilhões em produtos brasileiros em 2024, consolidando-se como o quinto maior destino das exportações do Brasil no Oriente Médio. Em 2025, o volume de negócios entre os dois países manteve-se no mesmo patamar.
Em comunicado, Trump afirmou que a medida entra em vigor imediatamente. “Com efeito imediato, qualquer país que faça negócios com a República Islâmica do Irã pagará uma tarifa de 25% sobre todas as transações comerciais realizadas com os Estados Unidos da América. Esta ordem é final e irrecorrível”, declarou o presidente norte-americano.
A iniciativa é interpretada como a primeira sinalização concreta de uma escalada da pressão de Washington contra o regime iraniano, em meio a protestos que vêm ganhando proporções inéditas no país. O objetivo da Casa Branca é isolar economicamente o Irã, enfraquecer alianças comerciais ainda existentes e provocar escassez de produtos, inclusive de itens considerados essenciais.
De acordo com a avaliação do governo norte-americano, o corte de suprimentos e o bloqueio de relações econômicas seriam formas de inviabilizar a sustentabilidade financeira do regime em Teerã. Trump chegou a mencionar a possibilidade de uso de força militar, ao mesmo tempo em que indicou que autoridades iranianas estariam abertas a negociações. Ainda assim, a decisão anunciada indica que os Estados Unidos optaram por iniciar uma ofensiva mais dura.
Embora o Brasil possa ser impactado pelas novas tarifas, analistas apontam que os efeitos tendem a ser mais significativos para países como China e Índia, que mantêm fluxos comerciais mais intensos com o Irã. O país persa, inclusive, integra o Brics desde a ampliação do bloco ocorrida há dois anos.
Em nota, o governo brasileiro informou que, até o momento, não recebeu nenhuma notificação oficial dos Estados Unidos sobre a aplicação das tarifas adicionais.
Por João Vitor Mendes | Revisão: Pietra Gomes
LEIA TAMBÉM: Acordo Mercosul-UE deve tornar produtos europeus mais acessíveis no Brasil




