O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, encontrou uma plateia esvaziada ao discursar hoje na Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Integrantes de delegações de diversos países começaram a deixar a plenária da ONU antes que o premiê começasse a falar. O Brasil foi um deles.
Netanyahu criticou líderes internacionais que reconheceram o Estado palestino e deu indicativos de que a guerra vai continuar.
“Não terminamos ainda. Os elementos finais do Hamas ainda estão na Cidade de Gaza. Eles querem repetir as atrocidades de 7 de outubro de novo e de novo. É por isso que Israel precisa terminar o trabalho. Queremos fazer isso o mais rápido possível” disse o primeiro-ministro.
Netanyahu também acenou para os reféns ainda mantidos pelos militantes palestinos que eles não foram esquecidos. “Não nos esquecemos de vocês, nem por um segundo.”
O primeiro-ministro disse ainda que o apoio global a Israel após o ataque de 7 de outubro “evaporou-se rapidamente quando Israel fez o que qualquer nação que se respeitasse faria na sequência de um ataque tão selvagem – nós revidamos.”
Ele acusou os líderes mundiais de travar “guerra política e legal contra Israel” e afirmou que eles estão “apaziguando o seu caminho para fora da jihad, sacrificando Israel. Esta não é uma acusação de Israel. É uma acusação contra você. É uma acusação de fracos líderes que precisam apaziguar o mal em vez de apoiar uma nação cujos bravos soldados guardam você no portão. Eles já estão penetrando seus portões.”
“Há um ditado familiar, ‘quando as coisas ficam difíceis, os fortes entram em ação.’ Bem, para muitos países aqui, quando as coisas ficaram difíceis, vocês se curvam. E aqui está o resultado vergonhoso desse colapso.”
Comparação com Al Qaeda
Netanyahu direcionou críticas aos países que reconheceram oficialmente a Palestina e disse que a decisão será lembrada como “vergonhosa”. Para ilustrar, comparou a medida ao ato de conceder um Estado à Al Qaeda em Nova York logo após os ataques de 11 de setembro de 2001.
“Não vamos cometer suicídio nacional só porque vocês não têm coragem de enfrentar uma mídia mentirosa”, afirmou o premiê.
Uso de QR code
O líder israelense voltou a comentar sobre o ataque do Hamas em outubro de 2023. Netanyahu disse que “o mundo já esqueceu”, mas que Israel jamais apagará aquela data de sua memória. Ele exibiu um QR Code que levava a um site com vídeos e imagens do atentado. Ele também levou quadros e fez um questionário com as poucas pessoas que restaram no parlamento, perguntando quem cometeu atos terroristas contra Israel e contra os EUA.
A fala de Netanyahu foi transmitida para a população da Faixa de Gaza em auto falantes colocados na fronteira. A justificativa dada por ele para fazer isso foi se comunicar com os reféns que ainda estão vivos.
Segundo o próprio Netanyahu, celulares de quem estava em Gaza também transmitiram uma fala ao vivo dele, pedindo que os extremistas se rendessem. “Se o Hamas aceitar nossas demandas, a guerra acaba agora”.
Encontro com os EUA
A expectativa é de que Benjamin Netanyahu e Donald Trump façam um encontro a portas fechadas hoje. Eles vão se encontrar em Washington D.C., a 370 quilômetros de Nova York, no fim do dia.
Ordens de prisão
O voo que levou Netanyahu aos Estados Unidos desviou de diversos países europeus, onde ele é alvo de ordem de prisão. O pedido de prisão foi emitido pelo Tribunal Penal Internacional com base em acusações de crimes de guerra e crimes contra a humanidade.
Por Arthur Moreira | Revisão: Daniela Gentil
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