A defesa da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) manifestou, nesta quinta-feira (28), inconformidade com a decisão da Corte di Appello di Roma que manteve a prisão preventiva da parlamentar. A ordem foi divulgada hoje e determinou que Zambelli continue detida na prisão de Rebibbia, enquanto aguarda o andamento do pedido de extradição apresentado pelo Brasil.
Em nota oficial, assinada pelos advogados Fábio Pagnozzi e Pieremilio Sammarco, a defesa classificou a decisão como baseada em “pressupostos equivocados e dissociados da realidade”. Os advogados contestam a avaliação da Corte de que a deputada representa risco de fuga e afirmam que suas condições de saúde não justificam a detenção.
A nota também critica uma suposta influência do governo brasileiro sobre a Justiça italiana, alegando que a decisão teria sido tomada com base em “narrativas distorcidas”. Os defensores destacaram ainda que o julgamento foi feito pela Sezione Feriale, formada por magistrados designados para o recesso de agosto, sem vínculo direto com o processo e sem integrar o corpo de juízes titulares.
Segundo a defesa, Zambelli tem residência fixa na Itália e recebe acompanhamento médico contínuo, o que tornaria “injustificável” a manutenção da prisão. Os advogados afirmam que o ordenamento jurídico italiano prevê medidas cautelares alternativas, como monitoração eletrônica, que poderiam ser aplicadas sem restringir totalmente a liberdade da parlamentar.
Os defensores anunciaram que vão apresentar recurso à Corte di Cassazione e um novo pedido de revogação da prisão preventiva ao colegiado regular da Corte de Roma nos próximos dias.
Por outro lado, juristas italianos avaliam que não há motivos para conceder liberdade ou prisão domiciliar. O laudo médico oficial da perita Edy Febi concluiu que a depressão de Zambelli está controlada e que as demais condições clínicas são compatíveis com o regime prisional.
Enquanto a defesa prepara os recursos, a Justiça italiana mantém a prisão da deputada ítalo-brasileira, e o caso segue sendo acompanhado de perto pelo Judiciário brasileiro, pela imprensa e por autoridades italianas.
Por David Gonçalves, correspondente MD News na Itália | Revisão: Daniela Gentil
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