O calor intenso, especialmente quando é prolongado e associado à elevada umidade, pode comprometer os mecanismos naturais de regulação da temperatura corporal, levando à condição conhecida como hipertermia, que representa um risco significativo à saúde e pode até levar à morte.
Desde 23 de dezembro de 2025, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) passou a emitir avisos de alerta para uma forte onda de calor que vem afetando o Brasil, principalmente nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste. O instituto classifica esse evento climático como uma onda de calor porque as temperaturas estão ficando pelo menos 5 °C acima da média histórica para o mês de dezembro por vários dias consecutivos, condição que caracteriza perigo meteorológico significativo e uma onda prolongada de altas temperaturas.
Altas temperaturas
Durante esse período, muitos pontos do país registraram marcas de calor elevadas para a época do ano, em pleno verão. Na cidade de São Paulo, por exemplo, o termômetro chegou a 36,2 °C no dia 26 de dezembro, o maior registro já observado em dezembro desde 1961, segundo dados oficiais do Inmet.
No Rio de Janeiro e regiões metropolitanas como Niterói e São Gonçalo, as temperaturas também estiveram próximas de 40 °C em vários dias desta onda de calor, em um quadro de baixa umidade que aumenta a sensação térmica e os riscos à saúde das pessoas expostas
O calor intenso não se limitou às duas capitais: quase 1.300 cidades brasileiras estavam sob alerta vermelho de perigo extremo de calor nos últimos dias de dezembro, especialmente nas áreas do Sudeste, além de partes do Sul e Centro-Oeste, com máximas que frequentemente superaram os 35 °C.
As condições de tempo durante essa onda de calor são influenciadas por um bloqueio atmosférico, que impede a chegada de frentes frias e mantém massas de ar quente e seco sobre grandes áreas do país, favorecendo a persistência das altas temperaturas por vários dias seguidos.
Segundo as projeções meteorológicas, o alerta mais intenso, o alerta vermelho estava previsto para se manter pelo menos até 29 de dezembro de 2025, com uma tendência gradual de queda nas temperaturas a partir do dia 30, à medida que sistemas frontais e chuva passam a influenciar o clima em parte do Sudeste, Sul e Centro-Oeste. Mesmo assim, mesmo com a redução do risco extremo, as máximas ainda devem ficar acima da média histórica para a época em vários locais, antes de uma alteração mais definitiva do padrão climático com a entrada de 2026.
Esses registros recentes mostram que a onda de calor que começou no fim de dezembro está entre as mais intensas para essa época do ano no Brasil, com dias consecutivos de temperaturas acima do esperado, elevando o risco de hipertermia e outras doenças relacionadas ao calor extremo, sobretudo entre idosos, crianças, pessoas com condições de saúde preexistentes e trabalhadores expostos ao sol sem proteção adequada.
O que é hipertermia e por que ela é perigosa?
A hipertermia ocorre quando o corpo não consegue dissipar o calor recebido do ambiente, fazendo com que a temperatura interna suba além do normal. Em situações extremas, o organismo perde a capacidade de resfriar-se adequadamente, principalmente porque o suor, principal mecanismo de termorregulação, se torna insuficiente para compensar o calor excessivo.
Quando essa falha de regulação acontece, a temperatura corporal pode ultrapassar 40 °C, um ponto em que funções vitais começam a ser prejudicadas e o risco de complicações severas, como lesões nos órgãos internos, coma ou até morte, aumenta.
Para evitar a ocorrência de hipertermia e aliviar os efeitos da alta temperatura, é recomendado manter hidratação constante ao longo do dia, mesmo sem sensação de sede, priorizando o consumo de água, além de reduzir a exposição ao calor intenso, especialmente nos horários mais quentes, entre 10h e 16h.
Sempre que possível, permaneça em ambientes frescos, ventilados ou climatizados, use roupas leves e claras que facilitem a ventilação do corpo e evitar atividades físicas intensas sob altas temperaturas.
Também é fundamental reconhecer os sinais iniciais de estresse térmico, como tontura, cansaço excessivo, dor de cabeça e confusão mental, interrompendo imediatamente a atividade e buscando um local fresco, já que a atenção rápida pode impedir a evolução para quadros graves e potencialmente fatais.
Por Lais Pereira da Silva | Revisão: Daniela Gentil
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