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Mulheres negras casam menos e têm parceiros com menor renda e escolaridade

Pesquisa analisou dados de 2002 a 2024 e revela que desigualdade racial segue influenciando quem se casa e as condições econômicas das famílias

Dados sobre o perfil familiar no Brasil mostram que mulheres pretas e pardas têm menor probabilidade de formalizar uma união conjugal do que mulheres brancas, mesmo quando fatores como idade e escolaridade são levados em conta. A constatação é da pesquisa Quem se dá melhor no casamento? Diferenças raciais no mercado matrimonial brasileiro”, realizada pelo Insper em 2025, com base em dados da PNAD/IBGE analisados entre 2002 e 2024.

Segundo o estudo, em 2023, 44% das mulheres pretas estavam casadas, percentual inferior ao observado entre mulheres brancas, que chegou a 51,3%. Entre mulheres pardas, a taxa foi de aproximadamente 50%. Os dados indicam que a cor da pele continua sendo um fator determinante para a formalização de uniões no país, mesmo diante do aumento da escolaridade feminina nas últimas décadas.

Os pesquisadores apontam que o casamento ainda desempenha um papel relevante na acumulação de renda e na mobilidade social. Nesse contexto, a menor inserção de mulheres negras no chamado “mercado matrimonial” tende a resultar em desvantagens econômicas ao longo da vida, como menor renda familiar e menor capacidade de acumular patrimônio, reforçando desigualdades históricas que se reproduzem de geração em geração.

Parceiros com menor renda e escolaridade

Quando casadas, mulheres negras enfrentam outra realidade: seus parceiros tendem a ter menor escolaridade e renda prevista em comparação aos parceiros de mulheres brancas. Dados da mesma pesquisa mostram que, entre 2022 e 2024, a renda estimada do cônjuge de uma mulher preta foi, em média, cerca de 14,9% mais baixa do que a do marido de uma mulher branca. Além disso, a escolaridade dos parceiros de mulheres pretas ficou cerca de 7 pontos percentuais abaixo dos parceiros de mulheres brancas. 

Essa tendência contribui para a perpetuação de ciclos de desigualdade: unir-se a alguém com menores recursos e menor qualificação educacional reduz as chances de acumular patrimônio e limita as oportunidades de mobilidade social tanto para a mulher quanto para os filhos. 

Desigualdades socioeconômicas 

As disparidades observadas no casamento refletem um panorama mais amplo de desigualdade racial no Brasil. Dados do IBGE e de organizações sociais mostram que mulheres negras, em geral, têm menos acesso à educação superior em comparação com mulheres brancas, um fator que influencia diretamente sua posição no mercado de trabalho e renda.

Além disso, segundo o Relatório Anual Socioeconômico da Mulher (Raseam 2025), preparado pelo Observatório Brasil da Igualdade de Gênero e lançado pelo Ministério das Mulheres, uma proporção significativa de domicílios chefiados por mulheres negras ou pardas têm renda familiar per capita de até um salário mínimo, mostrando que grande parte delas vive em situação de vulnerabilidade econômica. 

Essa realidade econômica não se dissocia das desigualdades raciais e de gênero mais amplas no país. A interseção entre raça, gênero e condição socioeconômica molda a experiência das mulheres negras nas relações afetivas e no casamento. 

A menor taxa de casamentos e a tendência a formar parcerias com parceiros de menor renda e escolaridade não apenas espelham desigualdades históricas, mas também reforçam mecanismos pelos quais a desigualdade se perpetua de geração em geração. Políticas públicas que abordem essas barreiras, desde educação até mercado de trabalho e o combate ao racismo estrutural são essenciais para promover maior equidade nas oportunidades de vida e nas relações familiares no Brasil.

Por: Lais Pereira da Silva| Revisão: Daniela Gentil

VEJA TAMBÉM: Quase metade das brasileiras sente que não é tratada com respeito; 94% veem país como machista

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Marcia Dantas

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