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Brasil registra ao menos 80 assassinatos de pessoas trans e travestis em 2025, aponta dossiê da Antra

Número de mortes caiu em 2025, mas o Brasil completa 17 anos como o país mais violento para a população trans

Pelo 17º ano consecutivo, o Brasil permanece como o país que mais mata pessoas trans e travestis em todo o mundo. A constatação é do mais recente dossiê da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), divulgado na última segunda-feira (26), que consolida os dados de violência letal referentes ao ano de 2025.

O levantamento documentou 80 assassinatos de pessoas trans no território nacional. O número absoluto representa uma queda de 34,4% em relação a 2024, ano em que foram contabilizadas 122 mortes violentas. Contudo, a entidade adverte que a oscilação nos gráficos não deve ser interpretada como um sinal de segurança efetiva.

Para a Antra, a ausência de dados governamentais padronizados mascara a realidade. O relatório enfatiza que “mesmo quando há redução estatística no número de casos, o cenário de risco permanece inalterado, em razão da subnotificação e da precariedade na investigação desses crimes”. Ou seja: a violência continua, mas nem sempre chega às manchetes ou aos boletins de ocorrência tipificados corretamente.

Gráfico: Divulgação | Dossiê: Assassinatos e violências contra travestis e transexuais brasileiras em 2025 – Antra: Associação Nacional de Travestis e Transexuais

Quem são as vítimas?

O dossiê vai além da contagem de corpos e traça um perfil sociodemográfico das vítimas, expondo como o racismo e a desigualdade econômica operam como combustíveis para a transfobia. A violência não atinge a comunidade de forma homogênea: a vasta maioria das assassinadas eram travestis e mulheres trans, negras, pobres e, frequentemente, em situação de prostituição compulsória ou vulnerabilidade social extrema.

Segundo a análise técnica do documento, a escolha das vítimas obedece a uma lógica de exclusão: “A análise do perfil revela que a expressão de gênero, aliada a marcadores como raça, classe social e contexto de vulnerabilidade, aumenta significativamente o risco de assassinato”.

A crueldade é outro traço distintivo apontado pelo relatório. Diferente de homicídios comuns, os crimes de ódio contra essa população geralmente envolvem excesso de violência, tortura e exposição dos corpos em espaços públicos, servindo como uma “mensagem” de intimidação. Um dos dados mais alarmantes de 2025 é a idade das vítimas: a mais jovem tinha apenas 13 anos.

Entre as vidas interrompidas citadas no levantamento estão Paula Nascimento Batista, Valkíria Ferreira da Silva, Rhianna Alves, Carmen de Oliveira Alves, Neuritânia Pacheco, Gabriella da Silva Borges, Raquelly Letícia e Alice Martins Alves.

Nordeste lidera casos

No recorte regional, o Nordeste desponta como a região mais letal, concentrando quase 50% dos registros nacionais.

Ranking por Região:

  • Nordeste: 38 mortes
  • Sudeste: 17 mortes
  • Centro-Oeste: 12 mortes
  • Norte: 7 mortes
  • Sul: 6 mortes

Quando observados os estados, Ceará e Minas Gerais lideram o ranking da violência em 2025, com 8 casos cada um. A dispersão dos crimes mostra que a insegurança para a população trans é uma realidade nacional, presente tanto nos grandes centros urbanos quanto no interior.

Gráfico: Divulgação | Dossiê: Assassinatos e violências contra travestis e transexuais brasileiras em 2025 – Antra: Associação Nacional de Travestis e Transexuais

Subnotificação e apagão de dados

Um dos pontos centrais da crítica feita pela Antra é a persistência de um “apagão de dados”. O Brasil ainda não possui um sistema federal unificado que contabilize crimes de ódio com recorte específico de identidade de gênero de forma obrigatória e precisa.

Por isso, o dossiê é construído através de uma metodologia própria, baseada no monitoramento de notícias de imprensa, redes sociais e denúncias de organizações não governamentais. A presidente da Antra, Bruna Benevides, reforça que os números reais são, muito provavelmente, superiores ao que a sociedade civil consegue mapear.

Essa lacuna institucional dificulta a criação de políticas públicas de segurança. O texto do dossiê argumenta que “a violência contra pessoas trans não pode ser analisada apenas como homicídios isolados, mas como resultado de um contexto social que naturaliza a exclusão e a desumanização dessas identidades”.

País que mata é o que mais consome

O relatório também joga luz sobre uma contradição moral profunda da sociedade brasileira. Ao mesmo tempo em que o país lidera o ranking mundial de assassinatos de pessoas trans, ele também figura, desde 2016, entre os maiores consumidores globais de pornografia trans em plataformas como RedTube, PornHub e Xvideos.

Estudos demográficos indicam que homens (cisgênero) são 63% mais propensos a consumir esse tipo de conteúdo. Para a Antra, essa correlação expõe a objetificação dos corpos trans: eles são desejados no segredo da intimidade, mas violentados e descartados na vida pública.

O documento conclui que essa dinâmica reforça o ciclo de ódio, onde travestis e mulheres trans continuam sendo o principal alvo da violência letal no Brasil, o que evidencia a persistência de um padrão de crimes motivados por preconceito de gênero”.

Por: Laís Queiroz | Revisão: Pietra Gomes

LEIA TAMBÉM: SUS passa a adotar nome social de pessoas trans no atendimento

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Marcia Dantas

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