O Brasil enfrenta um cenário crítico de violência de gênero em 2026. Segundo dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), compilados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, o país registrou 399 vítimas de feminicídio entre janeiro e março deste ano. O número representa o maior volume de casos para um primeiro trimestre desde o início do monitoramento oficial, em 2015.
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A escalada da violência é evidente: em relação ao primeiro trimestre de 2025, os casos cresceram 7,55%, enquanto, em uma década, o número de vítimas saltou de 125, em 2015, para 399 em 2026, o que equivale a uma média de uma mulher assassinada a cada 5 horas e 25 minutos no país.
Retrato da violência no trimestre
O monitoramento mensal mostra que o ano começou com extrema violência. Janeiro foi o mês mais letal, contabilizando 142 assassinatos. Após uma leve queda em fevereiro (123), os índices voltaram a subir em março, com 134 registros.
A distribuição geográfica revela que os estados mais populosos concentram os maiores números absolutos:
- São Paulo: 86 vítimas
- Minas Gerais: 42 vítimas
- Paraná: 33 vítimas
- Bahia: 25 vítimas
- Rio Grande do Sul: 24 vítimas
Na contramão dessa estatística, apenas os estados do Acre e Roraima não registraram feminicídios no período apurado.
Recordes sucessivos
O novo balanço acende um alerta vermelho para as autoridades de segurança pública, uma vez que 2026 já supera os picos anteriores de 2022 (372 vítimas) e 2024 (384 vítimas) no recorte trimestral. No ano passado, o Brasil já havia atingido seu pior índice anual histórico, com 1.470 mulheres mortas por questões de gênero.
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Onde buscar ajuda?
Se você ou alguém que você conhece está em situação de violência, procure ajuda:
- Ligue 180: Central de Atendimento à Mulher (gratuito e anônimo).
- Ligue 190: Polícia Militar (para situações de emergência).
- Delegacias da Mulher: Procure a unidade mais próxima em sua cidade.
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Por: Laís Queiroz | Revisão: Daniela Gentil
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