O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) vai realizar entre os dias 3 e 7 de julho de 2028 o primeiro Censo Nacional da População em Situação de Rua. Os primeiros resultados estão previstos para serem divulgados em dezembro do mesmo ano.
A iniciativa, considerada inédita no país, foi apresentada em eventos realizados em diferentes cidades brasileiras, como Belém, Rio de Janeiro e São Paulo. O objetivo é levantar informações detalhadas sobre o perfil dessa população, contribuindo para a formulação de políticas públicas mais eficazes.
Segundo o presidente do IBGE, Márcio Pochmann, a metodologia desenvolvida poderá se tornar referência internacional, sendo possível compreender quem são e de onde vêm essas pessoas pode ajudar na construção de políticas capazes de enfrentar o problema de forma estrutural.
Pochmann afirmou que a situação da população em situação de rua exige uma abordagem nacional, com planejamento e orçamento definidos em âmbito federal. De acordo com ele, os recursos para a realização do censo devem constar na proposta orçamentária do governo enviada ao Congresso Nacional.
O IBGE lembrou que experiências anteriores de contagem desse público foram realizadas em âmbito municipal, como em São Paulo, onde os levantamentos indicaram crescimento expressivo ao longo das últimas décadas.

A proposta do censo nacional, segundo o instituto, foi construída em parceria com organizações da sociedade civil e movimentos sociais, com o objetivo de aprimorar a coleta de dados e ampliar a participação de diferentes atores envolvidos na temática.
Durante o lançamento, representantes da população em situação de rua também participaram dos debates. Um deles destacou que muitas pessoas chegam a essa condição por circunstâncias adversas da vida, além de relatar situações frequentes de discriminação.
Dessa forma, pessoas com vivência nas ruas devem participar do processo de pesquisa, contribuindo para uma coleta de dados mais próxima da realidade. Os direitos fundamentais garantem que pessoas em situação de rua sejam reconhecidas como cidadãos e protegidas pelo Estado.
Isso inclui o direito à vida e à integridade física, à saúde com acesso ao Sistema Único de Saúde (SUS), à assistência social com acolhimento e alimentação, à identidade por meio de documentos, ao trabalho e à renda, além da não discriminação e da igualdade de tratamento. Também asseguram o direito à moradia digna, base para políticas públicas de superação da situação de rua.
O levantamento é considerado pelo IBGE um marco na produção de informações oficiais no país e pode ajudar a dar maior visibilidade a uma população historicamente pouco contemplada nas estatísticas nacionais.
Por: Lais Pereira da Silva | Revisão: Daniela Gentil
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