O Congresso do Peru decidiu, nesta terça-feira (17), destituir o presidente interino José Jerí do cargo. A decisão ocorre em meio a investigações preliminares por corrupção e tráfico de influência, agravando ainda mais a instabilidade política que marca o país nos últimos anos, a poucas semanas das eleições presidenciais previstas para abril.
A destituição foi aprovada por 75 votos a favor, 24 contrários e três abstenções. Jerí havia assumido a presidência em 10 de outubro, após a queda de Dina Boluarte, destituída em meio a uma escalada da criminalidade que gerou forte pressão social e política.
Suspeitas e acusações
As acusações contra Jerí têm como base um relatório vazado que aponta a realização de reuniões não divulgadas, em dezembro, com dois executivos chineses. Um deles mantém contratos governamentais ativos, enquanto o outro é investigado por suposto envolvimento em um esquema ilegal de extração de madeira.
O encontro, realizado de forma considerada clandestina por parlamentares, levantou suspeitas sobre possíveis conflitos de interesse e uso indevido da função pública.
O agora ex-presidente interino nega qualquer irregularidade. Em sua defesa, Jerí afirmou que as reuniões tiveram como único objetivo a organização de uma festividade cultural peruano-chinesa, sem relação com contratos ou decisões do governo.
A queda de Jerí representa mais um capítulo da prolongada crise política no Peru, que desde 2016 já teve sete presidentes. O país enfrenta um cenário de forte desgaste institucional, somado ao aumento da criminalidade violenta e à desconfiança da população em relação à classe política.
O que acontece agora
Com a destituição, o Congresso deverá escolher, entre seus próprios integrantes, um novo presidente interino. O mandato será temporário e se estenderá até 28 de julho, data em que o chefe do Executivo deverá transmitir o cargo ao vencedor da eleição presidencial marcada para 12 de abril.
A sucessão em meio ao calendário eleitoral intensifica as incertezas políticas e econômicas, enquanto cresce o clamor popular por estabilidade, combate à corrupção e respostas mais efetivas à crise de segurança que afeta o país.
Por João Vitor Mendes | Revisão: Daniela Gentil
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