Em Turim (Itália), na quinta-feira (15), cidadãos e membros da diáspora iraniana se reuniram em frente ao Monumento a Emanuele Filiberto Duca d’Aosta , gritando “Donna, vita, libertà” (“Mulher, vida, liberdade”) em solidariedade ao povo iraniano que enfrenta forte repressão do regime em Teerã. A mobilização reflete a preocupação com a situação dos direitos humanos no Irã e a busca por visibilidade internacional para a luta civil no país.
Na Piazza Castello (“Praça Castelo”), estudantes, ativistas e italianos se juntaram a centenas de participantes da diáspora, carregando cartazes e faixas com mensagens de liberdade e justiça. Organizações como o Partito Democratico de Turim e grupos de solidariedade europeus destacaram a importância da mobilização e cobraram ações concretas da União Europeia.
O governo italiano demonstrou profunda preocupação com a violenta repressão no Irã. A primeira-ministra Giorgia Meloni solicitou ao Teerã que respeite os direitos dos iranianos e a segurança dos manifestantes, em meio a notícias de milhares de mortos durante os protestos.

Manifestações pelo mundo
Israel: Centenas de pessoas se reuniram em cidades como Tel Aviv em apoio aos manifestantes iranianos, após semanas de agitação crescente no Irã;
França: Atos foram registrados em Nantes e Brest. Em Paris, manifestantes queimaram bandeiras da República Islâmica e imagens do líder supremo, Ali Khamenei;
Reino Unido: Concentrações continuam em frente à embaixada iraniana em Londres, cuja embaixada em Teerã foi fechada e funcionários retirados devido à tensão;
Alemanha: Milhares participaram de protestos em Berlim em solidariedade à diáspora iraniana;
Outras regiões: Mobilizações também ocorreram em Istambul (Turquia) e Washington (EUA), com pedidos de apoio político e sanções contra o regime iraniano.
G7: unificação das lideranças europeias
Os ministros das Relações Exteriores do G7 (grupo que reúne Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido) emitiram uma declaração conjunta expressando grave preocupação com a repressão no Irã, condenando o uso da força contra manifestantes e pedindo respeito aos direitos fundamentais à liberdade de expressão e de reunião pacífica. A nota reforça a necessidade de medidas concretas de apoio ao povo iraniano e a responsabilização das autoridades que cometeram abusos.
Posicionamento político dos EUA
O governo americano, sob liderança de Donald Trump, reafirmou o apoio aos manifestantes iranianos. Washington impôs sanções a cinco altos funcionários e a uma prisão envolvida na repressão, cancelando negociações com Teerã enquanto a violência continuar. Trump afirmou que os EUA estão “prontos para ajudar” e sublinhou que a pressão internacional é crucial para proteger os direitos civis no Irã.

Situação atual no Irã
Desde o fim de dezembro de 2025, os protestos no Irã eclodiram em todo o país inicialmente por motivo econômico, mas se transformaram em um amplo movimento contra o governo clerical. Segundo organizações de direitos humanos, mais de 3.000 pessoas morreram nos confrontos com forças de segurança e mais de 18 mil foram detidas em diferentes cidades. Entre as vítimas, há relatos de crianças e civis não envolvidos diretamente nas manifestações. O governo iraniano mantém cortes de internet e censura intensa, dificultando a divulgação de dados precisos sobre a violência estatal.
Diferente das manifestações pró-Palestina, que ocorreram durante os bombardeios em Gaza, desta vez o governo italiano adotou uma postura firme contra o regime iraniano, em defesa dos cidadãos iranianos. A posição clara da gestão de Giorgia Meloni reflete o alinhamento político com Israel e reforça o apoio à população que enfrenta repressão no Irã.
Por David Gonçalves – Correspondente MD News na Itália | Revisão: Pietra Gomes
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