Uma pesquisa da Neon revelou que as mulheres demonstram maior compromisso na regularização de dívidas do que os homens. Segundo o levantamento, as mulheres quitam, em média, 11,6% mais débitos, mesmo com renda mais baixa e menor participação na contratação de empréstimos.
A análise considerou dados de clientes entre outubro de 2025 e janeiro de 2026 e apontou que, ao longo de todo o período, o público feminino manteve desempenho superior na reorganização das finanças.
O contraste é ainda mais evidente quando comparado ao acesso ao crédito: cerca de 70% dos contratos de crédito pessoal estão concentrados entre homens, enquanto as mulheres ainda são minoria nessa modalidade.
Apesar disso, são elas que lideram a regularização de dívidas com mais de 10 dias de atraso, um indicador relevante de disciplina financeira, especialmente em cenários de maior pressão no orçamento.

Imagem: FG Trade/iStock
Comportamento financeiro e desigualdades estruturais no mercado de trabalho
Os dados reforçam uma tendência já observada no setor: mesmo com menor acesso a recursos e crédito, as mulheres têm se destacado pela responsabilidade na gestão das finanças pessoais e pela maior capacidade de reorganizar o orçamento em períodos de instabilidade econômica.
Entretanto, os dados refletem um cenário em que os homens seguem com maior remuneração média no país. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística indicam que as mulheres recebem, em média, 15,8% a menos do que os homens no Brasil, diferença que persiste mesmo entre profissionais com o mesmo nível de escolaridade.
Essa desigualdade está associada a fatores estruturais do mercado de trabalho, como a maior responsabilidade feminina com o cuidado de filhos e tarefas domésticas, além da menor presença em cargos de liderança, o que impacta diretamente o nível de renda e as oportunidades de crescimento profissional.
Por: Lais Pereira da Silva | Revisão: Daniela Gentil
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