A ex-deputada federal Carla Zambelli avalia desistir de recorrer na Itália e aceitar a extradição ao Brasil diante de um cenário jurídico cada vez mais desfavorável.
Segundo apuração do portal MD News, a decisão ganhou força após conversas com o marido, o coronel Antônio Aginaldo de Oliveira, que apresentou à ex-parlamentar uma avaliação direta: insistir no processo pode significar apenas mais tempo presa e aumento dos custos, sem mudança no desfecho.
A Justiça italiana já se posicionou de forma clara. O Ministério Público local emitiu parecer favorável à extradição, e a decisão foi confirmada de forma unânime por um colegiado de juízes na última audiência. Na prática, o país já deu aval para que Zambelli seja enviada ao Brasil.
Agora, o processo depende apenas da assinatura do ministro da Justiça da Itália, Carlo Nordio, responsável por validar a extradição.
Mesmo diante desse cenário, ainda há possibilidade de recurso à Corte de Cassação, instância máxima do Judiciário no país, equivalente ao Supremo Tribunal Federal no Brasil. No entanto, essa medida é vista como de baixo potencial de reversão.
Zambelli já cumpre cerca de oito meses de prisão em território italiano enquanto aguarda a conclusão do processo. Um eventual recurso pode prolongar a detenção por mais seis meses a um ano.
Nos bastidores, o peso financeiro também entrou na conta. A continuidade da disputa judicial implicaria novos gastos elevados, inclusive com eventual tentativa em tribunais internacionais, sem garantia de sucesso.
A avaliação levada pelo marido à ex-deputada considera ainda o aspecto pessoal: a possibilidade de retornar ao Brasil, ficar mais próxima da família e encerrar um processo considerado praticamente definido.
Condenada a dez anos de prisão por invasão de sistema informático e falsidade ideológica, Zambelli é acusada de ter financiado a invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça, executada por Walter Delgatti Neto.
A decisão final deve ser anunciada nos próximos dias: recorrer até as últimas instâncias ou aceitar a extradição e cumprir a pena no Brasil.
Por David Gonçalves, correspondente MD News na Itália | Revisão: Daniela Gentil
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