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Quando não há cura, há cuidado: o papel dos paliativos nas campanhas de fevereiro

Campanhas de conscientização destacam a importância do diagnóstico precoce e do cuidado humanizado

O mês de fevereiro é marcado por duas campanhas nacionais de conscientização: o Fevereiro Laranja, voltado à luta contra a leucemia e ao incentivo à doação de medula óssea, e o Fevereiro Roxo, que chama atenção para doenças crônicas como Lúpus, fibromial e Doença de Alzheimer.

Enquanto o Fevereiro Laranja reforça a importância do diagnóstico precoce e da solidariedade na doação de medula, o Fevereiro Roxo alerta para enfermidades que, muitas vezes, não têm cura, mas exigem acompanhamento contínuo, controle de sintomas e cuidado humanizado. Nesse contexto, os cuidados paliativos ganham protagonismo.

Avanços e desafios no Brasil

De acordo com o médico paliativista Dr. Eric Goulart, entrevistado pela repórter Daniela Gentil, houve crescimento na oferta de serviços nos últimos anos, mas ainda há um longo caminho a percorrer.

“Esse ano a gente vai ter um novo estudo através do Atlas da Associação Nacional de Cuidados Paliativos, que vai mostrar, eu acredito que esses números tenham crescidos ainda mais, mas ainda é muito pouco. E além de ser pouco, eles são subutilizados. É uma falta de profissionais ainda especialistas em cuidados paliativos.” disse para o MD News.

Segundo a Associação Nacional de Cuidados Paliativos, a ampliação da rede é um processo em construção, que envolve formação profissional e mudança de cultura dentro das instituições de saúde.

Imagem: Divulgação

O que são cuidados paliativos?

O especialista explica que existem dois tipos de cuidados paliativos: gerais e especializados.

“Então, muita gente trabalha com cuidados paliativos, mas o que são cuidados paliativos gerais. Nós temos dois tipos de cuidados paliativos, cuidados paliativos gerais e cuidados paliativos especializados.”

Sobre a diferença entre eles, ele detalha:

“Cuidados paliativos gerais seria conseguir controlar um sintoma que dá para controlar e é comunicações que tem que ser feitas através de prognóstico, diagnóstico, prognóstico, quais são os caminhos possíveis.”

Já nos casos mais complexos, ele explica:

“Já os cuidados paliativos especializados são aqueles casos mais complexos de que é muito difícil o controle de sintomas, comunicação do paciente e as famílias, casos muito complexos, questões burocráticas, então poucos fazem o cuidados paliativos especializados ainda. e temos poucos especialistas nisso ainda.

Decisão compartilhada: o paciente como protagonista

Nas doenças crônicas progressivas, como a Doença de Alzheimer em estágio avançado, a autonomia do paciente pode ser comprometida, e a família passa a ter papel essencial. Ainda assim, o princípio central é o respeito à vontade do paciente.

“Então, quem manda, quem define sobre essas coisas, de quem vai decidir por si, de quem vai falar por si, é sempre o paciente.”

O modelo adotado pelos cuidados paliativos é o da decisão compartilhada, em que médico e paciente discutem riscos, benefícios e valores pessoais antes de definir o caminho terapêutico.

Imagem: Reprodução/UOL

Não é desistência

Um dos principais objetivos das campanhas de fevereiro é combater a desinformação. Muitas pessoas ainda associam cuidados paliativos à interrupção do tratamento ou ao abandono.

O médico rebate essa ideia de forma direta:

“Os cuidados paliativos não são abandono, eles não são desistência, eles não são apenas para o paciente no final de vida. Não significa interromper o cuidado desse paciente. E é só apenas a continuidade do tratamento.”

E conclui com uma reflexão que dialoga com o espírito das campanhas:

“É algo muito técnico alinhado à humanidade para cuidar da pessoa e não cuidar apenas da doença. Porque onde tem uma pessoa sofrendo deve haver cuidado e não é porque não tem cura que o cuidado não permanece.”

Por Arthur Moreira com colaboração de Daniela Gentil

VEJA TAMBÉM: Uso de celular antes dos 12 anos pode prejudicar saúde física e mental de crianças

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Marcia Dantas

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