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Como a escravidão, crime mais grave contra a humanidade, ainda impacta o Brasil e o mundo

A declaração sugere que países promovam reparações, educação e medidas simbólicas para enfrentar os impactos duradouros da escravidão transatlântica

A Organização das Nações Unidas elevou o reconhecimento da escravidão transatlântica a um novo patamar ao classificá-la como o crime mais grave contra a humanidade. A medida reacende o debate global sobre reparações, memória histórica e os efeitos persistentes desse sistema que ainda molda desigualdades no Brasil e no mundo.

A decisão foi aprovada pela Assembleia Geral no contexto do Dia Internacional em Memória das Vítimas da Escravidão e do Tráfico Transatlântico de Escravos e contou com o apoio de 123 Estados-membros. Três países votaram contra — Estados Unidos, Israel e Argentina — enquanto 52 se abstiveram.

Liderada por Gana e pela União Africana, a resolução não tem caráter vinculante, mas busca reconhecer oficialmente a magnitude histórica do crime e incentivar medidas de reparação diante de seus efeitos ainda presentes.

O que a resolução propõe?

A declaração não se limita a identificar o tráfico de africanos como um dos maiores crimes da história. Ela também incentiva os países a considerar pedidos formais de desculpas e a criar ferramentas de reparação histórica. Entre as medidas discutidas estão a restituição de bens culturais, compensações financeiras e iniciativas educacionais voltadas à preservação da verdade histórica.

De acordo com defensores da resolução, reconhecer oficialmente a gravidade desse crime é um imperativo moral e também um passo essencial para enfrentar desigualdades sociais e raciais ainda presentes em diversas sociedades.

John Mahama, presidente de Gana, país que propôs o reconhecimento da escravidão como o maior crime da humanidade discursa na ONU Foto: Manoel Elias / Nações Unidas

A escravidão transatlântica, que durou mais de quatro séculos, envolveu a captura e o transporte forçado de milhões de africanos para as Américas e outros territórios, um trauma cujos efeitos se estendem por gerações.

Posicionamento contrário de países e regiões

A decisão da ONU provocou debates diplomáticos e políticos. Países que votaram contra argumentaram que colocar um crime acima de outros poderia criar hierarquias entre violações históricas e jurídicas, além de levantar questões sobre responsabilidade jurídica retroativa.

Algumas nações europeias e agrupamentos como a União Europeia optaram por se abster, expressando concordância com a importância de reconhecer a injustiça histórica, mas criticando pontos específicos do texto.

Por outro lado, líderes africanos, caribenhos e representantes de povos afrodescendentes saudaram a resolução como um avanço simbólico e moral, capaz de ampliar a consciência global sobre as consequências duradouras da escravidão e de estimular políticas públicas voltadas à reparação e justiça social.

Contexto histórico

A escravidão transatlântica foi um sistema organizado de exploração que se estendeu por mais de 400 anos, levando entre 12,5 e 15 milhões de africanos a serem forçados ao trabalho e privados de direitos fundamentais. Esse período marcou diversas regiões, moldando estruturas sociais, econômicas e raciais que ainda persistem hoje.

A resolução da ONU, mesmo sem poder legal para impor sanções, representa um reconhecimento internacional significativo da profundidade desse crime e seus efeitos duradouros, colocando em pauta a necessidade de enfrentar coletivamente as cicatrizes históricas, defender os direitos humanos e avançar na reparação histórica.

Por: Lais Pereira da Silva | Revisão: Daniela Gentil

VEJA TAMBÉM: Nova era da inclusão: símbolo da ONU deve substituir cadeira de rodas em locais públicos

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Marcia Dantas

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