A audiência entre o Papa Leão XIV e o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, nesta quinta-feira (7 de maio de 2026), ocorreu sob forte protocolo diplomático no Vaticano, mas foi marcada por um ambiente de tensão política nos bastidores.
Apesar da cerimônia formal e da tentativa de sinalizar estabilidade institucional, fontes próximas ao encontro indicam que o pontífice manteve uma postura firme em temas sensíveis que hoje tensionam a relação entre a Santa Sé e a Casa Branca.
Entre os principais pontos abordados estão a escalada de conflitos internacionais envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, além da política migratória norte-americana, alvo recorrente de críticas do Vaticano.
Horas antes da reunião, o Papa Leão XIV reforçou publicamente sua posição ao afirmar que “a Igreja deve pronunciar palavras claras para rejeitar tudo aquilo que mortifica a vida”, destacando a defesa de vítimas de guerras e violência. A declaração foi interpretada por analistas italianos como um recado indireto ao governo norte-americano.

A visita de Rubio ocorre em um contexto de desgaste diplomático entre Washington e o Vaticano, intensificado após críticas públicas atribuídas ao presidente Donald Trump ao pontífice, com acusações relacionadas à política de segurança interna e à condução da política externa dos Estados Unidos.
Segundo relatos de bastidores, a missão de Rubio em Roma também tem caráter político e busca reduzir a temperatura das tensões recentes e reabrir canais de diálogo com a Santa Sé, especialmente diante da influência do Vaticano em debates globais sobre guerra e migração.
Ainda assim, a divergência de posicionamentos permanece evidente. O Vaticano tem reforçado apelos por cessar-fogo e soluções diplomáticas para conflitos em andamento, enquanto a administração norte-americana mantém postura mais alinhada a respostas de força em cenários de instabilidade internacional.
Mesmo com esse cenário, após a reunião, tanto o Vaticano quanto o Departamento de Estado dos EUA divulgaram notas discretas destacando um “compromisso compartilhado com a promoção da paz”, em uma tentativa de evitar o agravamento público da crise diplomática.
O Papa Leão XIV, primeiro pontífice americano eleito em 2025, é visto internamente como uma figura de linha mais progressista em temas sociais, o que tem ampliado o distanciamento em relação a setores do governo Trump.
Por David Gonçalves, correspondente MD News na Europa | Revisão: Daniela Gentil
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