No dia 17 de abril de 2026, Barcelona sediará uma cúpula progressista organizada pelo presidente espanhol Pedro Sánchez, reunindo líderes como Lula da Silva e Gustavo Petro. O objetivo é consolidar uma frente internacional progressista como contraponto a encontros ultradireitistas e políticas unilaterais.
O evento ocorre em meio à escalada da guerra no Oriente Médio, com Donald Trump intensificando críticas a países aliados que, em sua visão, não estariam apoiando suficientemente os Estados Unidos, especialmente no conflito com o Irã e no controle do Estreito de Ormuz.
Trump chegou a ameaçar cortar totalmente o comércio com a Espanha, classificando o país como um aliado “terrível” por recusar o uso de bases militares espanholas e não atingir a meta de gastos de defesa exigida para membros da OTAN.
Diante da pressão americana, o governo de Sánchez manteve sua posição de “não à guerra”, defendendo a autonomia da Espanha e a necessidade de respeitar acordos internacionais. A decisão incluiu o fechamento do espaço aéreo espanhol para voos militares americanos envolvidos no conflito e a retirada de aeronaves estratégicas das bases espanholas.

No Brasil, a viagem de Lula à cúpula na Espanha gerou alertas internos. Segundo apuração do MD News, conselheiros e o Itamaraty temem desgaste na relação com Washington. A preocupação é que um eventual registro de Lula ao lado de Sánchez ocorra em meio ao embargo americano contra a Espanha.
A participação do presidente na cúpula também esbarra na chamada “Doutrina da Lealdade” de Trump: o presidente americano não aceita neutralidade, e qualquer gesto de Lula em direção a Sánchez poderia ser interpretado como uma “traição” ou uma escolha de lado.
Além disso, o timing da reunião preocupa: caso Lula assine declarações conjuntas criticando a postura unilateral dos EUA no Irã ou no Estreito de Ormuz, Trump poderia cancelar imediatamente qualquer plano de encontro bilateral.
Mesmo assim, Lula resistiu às recomendações internas, priorizando sua participação. Segundo interlocutores próximos, o presidente brasileiro deseja ser um dos destaques da cúpula, garantindo visibilidade para o Brasil e reconhecimento como protagonista do encontro. Para Lula, essa presença é estratégica e muito importante.

Na visão do presidente Lula, o Brasil mantém uma linha de diplomacia independente, defendendo soluções pacíficas para conflitos e a importância do respeito às instituições internacionais, postura que estaria alinhada aos discursos de Sánchez sobre paz, ciência e justiça social.
Se a cúpula de Barcelona consagrar Lula como protagonista da frente progressista, resta saber se o Brasil conseguirá equilibrar visibilidade internacional e a delicada relação com os Estados Unidos. Entre gestos, fotos e declarações, cada movimento do presidente brasileiro será observado não apenas por aliados, mas também por quem pode reagir com ressentimento e retaliação.
No fim, a diplomacia independente de Lula será testada na prática: até que ponto é possível se posicionar sem criar novas tensões?
Por David Gonçalves | Revisão: Daniela Gentil
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