Uma emenda parlamentar de R$ 2 milhões destinada pela ex-deputada federal Carla Zambelli para uma entidade ligada à produção do filme “Dark Horse”, cinebiografia inspirada na trajetória política de Jair Bolsonaro, passou a ser alvo de auditorias do Tribunal de Contas da União (TCU) e também entrou no radar do Supremo Tribunal Federal (STF).
O repasse foi realizado em 2024 para a Academia Nacional de Cultura (ANC), presidida por Karina Ferreira da Gama, apontada como uma das produtoras envolvidas no longa sobre Bolsonaro. O dinheiro seria usado para financiar o projeto audiovisual “Heróis Nacionais – Filhos do Brasil que não se rendem”, uma série de perfil conservador voltada a personagens históricos brasileiros.
Entre os conteúdos previstos estavam episódios sobre Dom Pedro I, José de Anchieta e temas ligados à formação histórica do Brasil, além da previsão de um espetáculo musical associado ao projeto.
O caso passou a chamar atenção após o TCU identificar problemas no rastreamento da verba pública. Segundo os auditores, os recursos teriam sido transferidos inicialmente para uma conta geral do governo de São Paulo, o que dificultaria o acompanhamento detalhado da movimentação financeira da emenda parlamentar.
A Corte de Contas entende que o procedimento poderia contrariar regras previstas para as chamadas “emendas Pix”, modalidade que vem sendo alvo de crescente pressão por maior transparência e fiscalização no país.
Após os questionamentos, o governo paulista informou que os valores foram posteriormente separados em uma conta específica. Ainda assim, segundo a administração estadual, o dinheiro não teria sido liberado à entidade porque documentos exigidos no processo ainda não teriam sido apresentados integralmente.
O caso ganhou repercussão nacional após o ministro Flávio Dino determinar uma apuração preliminar sobre possíveis irregularidades envolvendo recursos públicos destinados a projetos culturais ligados ao bolsonarismo.
As investigações analisam pontos como rastreabilidade do dinheiro, transparência dos contratos, ligação entre empresas e institutos envolvidos e possível uso político de recursos públicos em produções audiovisuais.
Além da Academia Nacional de Cultura, outras organizações e empresas ligadas ao núcleo de produção de “Dark Horse” também passaram a ser mencionadas nas apurações divulgadas pela imprensa brasileira.
Até o momento, não existe decisão judicial definitiva apontando desvio de dinheiro ou condenação contra Carla Zambelli, Karina Ferreira da Gama ou demais envolvidos citados no caso. As investigações seguem em andamento.
Por David Gonçalves | Revisão: Daniela Gentil
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