A Justiça italiana ainda não anunciou a decisão sobre o pedido de extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli, condenada no Brasil. O caso ganhou novos desdobramentos depois que um documento relacionado ao processo foi encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), na última sexta-feira.
O encaminhamento ocorreu após uma audiência considerada decisiva na Corte de Apelação de Roma, responsável por analisar o pedido apresentado pelo governo brasileiro.
Durante a sessão, o tribunal encerrou a fase de debates do processo de extradição e informou que o colegiado de juízes teria até cinco dias úteis para apresentar um parecer. Esse prazo, porém, terminou sem que o veredito fosse anunciado.
A demora passou a alimentar interpretações jurídicas e políticas sobre o futuro da ex-parlamentar. Ela está presa na Itália desde julho de 2025, tendo deixado o Brasil em decorrência de condenações impostas pelo STF.
A audiência começou no dia 11 de fevereiro e foi concluída no dia seguinte, após manifestações do Ministério Público italiano, dos advogados de defesa e de representantes ligados ao pedido de extradição brasileiro.
Durante a sessão, a acusação chegou a questionar a legitimidade da cidadania italiana de Zambelli, classificando o documento como uma possível “cidadania de fachada”. A defesa contestou o argumento e sustentou que a ex-deputada tem direito à proteção da legislação local por possuir cidadania reconhecida pelo princípio do jus sanguinis, que garante nacionalidade a descendentes de italianos.
Após o encerramento da audiência, um documento foi encaminhado às autoridades brasileiras e chegou ao gabinete do ministro Alexandre de Moraes, relator dos processos relacionados à ex-parlamentar na Suprema Corte. O conteúdo ainda não foi divulgado oficialmente.
Especialistas apontam duas possibilidades principais:
- O documento pode trazer informações preliminares sobre a decisão da Justiça italiana;
- O tribunal pode estar solicitando novas garantias ao governo brasileiro antes de autorizar a extradição.
Em processos desse tipo, a Justiça italiana costuma pedir detalhes rigorosos sobre as condições de custódia, o presídio onde o extraditado cumpriria pena e as regras do sistema penitenciário do país de destino.
Governo brasileiro acompanha processo
O pedido de extradição de Carla Zambelli é monitorado de perto pelo governo brasileiro, por meio de equipes jurídicas e diplomáticas.
Um dos escritórios que atuam na Itália em apoio ao pedido é o Michele Gentiloni Silveri, contratado para representar os interesses da Advocacia-Geral da União (AGU) no acompanhamento jurídico do processo perante as autoridades europeias.
Condenações no Brasil
Carla Zambelli foi condenada pelo STF em dois processos:
- 10 anos de prisão por envolvimento na invasão e manipulação de sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ);
- 5 anos e 3 meses de prisão por perseguição armada a um homem no centro de São Paulo, em episódio ocorrido em outubro de 2022. Esta condenação já transitou em julgado.
O que acontece agora?
A decisão final da Justiça italiana deverá definir se a ex-deputada será enviada ao Brasil ou se permanecerá no país europeu enquanto novos recursos da defesa forem analisados. O caso segue sob análise na Corte de Apelação de Roma, e a decisão oficial pode ser divulgada a qualquer momento.
David Gonçalves Correspondente MD na Itália
Revisão: Redação MD News
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