A exportação de carne brasileira para a China entrou em um novo momento. Embora Pequim tenha flexibilizado as restrições impostas anteriormente ao produto brasileiro, o cenário ainda está longe de representar tranquilidade para os exportadores.
Isso porque, ao mesmo tempo em que reduz barreiras sanitárias, a China também redesenha suas regras comerciais e sinaliza que pretende diminuir gradualmente a dependência da carne bovina brasileira.
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A movimentação acontece em meio ao aumento da competitividade internacional pelo mercado chinês. A recente visita do presidente americano Donald Trump ao país reforçou o interesse dos Estados Unidos em ampliar espaço no setor agrícola chinês, aumentando a disputa comercial diretamente com o Brasil.
As restrições anteriores impostas por Pequim já demonstravam preocupação sanitária em relação a frigoríficos brasileiros. Em um país com mais de 1,4 bilhão de habitantes, a segurança alimentar é tratada como questão estratégica, e a dependência excessiva de importações é vista pelo governo chinês como um risco geopolítico.
Desde o início do ano, Pequim passou a operar com um sistema de cotas tarifárias para a carne bovina importada. Dentro do limite anual estimado em 1,1 milhão de toneladas, a taxa permanece em 12%. Acima desse teto, porém, a cobrança sobe para 55%, percentual considerado inviável para manter a competitividade da carne brasileira.
Na prática, a medida mostra que, enquanto flexibiliza questões sanitárias, a China endurece sua política comercial por meio de mecanismos tributários e estratégicos que podem impactar diretamente o Brasil.
Atualmente, 66 frigoríficos brasileiros estão habilitados a exportar carne bovina para a China, mantendo o país como principal fornecedor da proteína ao mercado chinês.
Por Daniela Gentil | Revisão: Redação MD News
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