A ex-deputada federal Carla Zambelli enfrentará nesta sexta-feira, 22 de maio de 2026, um dos momentos mais decisivos desde que foi presa na Itália. A Corte de Cassação de Roma, considerada a instância máxima da Justiça italiana, irá analisar o último recurso apresentado pela defesa contra a extradição da brasileira ao Brasil.
A audiência poderá definir de forma definitiva o futuro jurídico de Zambelli na Europa. Os advogados da ex-parlamentar tentam derrubar as decisões anteriores da Corte de Apelação de Roma, que já haviam autorizado a entrega dela às autoridades brasileiras.
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A principal estratégia da defesa continua sendo a alegação de “perseguição política” por parte do Supremo Tribunal Federal. Os advogados também sustentam que os prazos processuais teriam sido curtos demais durante a tramitação do caso na Itália. Até agora, porém, todas as tentativas nesse sentido foram rejeitadas pela Justiça italiana.
Nos bastidores, autoridades brasileiras trabalham com a possibilidade de uma decisão favorável à extradição ainda nesta sexta-feira. Nesta semana, o ministro do STF Alexandre de Moraes determinou que o Ministério da Justiça e o Itamaraty iniciem imediatamente os preparativos operacionais para o traslado de Zambelli assim que houver a decisão final da Itália.
O governo brasileiro também reforçou junto às autoridades italianas uma série de garantias diplomáticas exigidas no processo de extradição. Em documentos enviados oficialmente ao governo italiano, o Brasil afirmou que Carla Zambelli não será submetida a tortura, penas cruéis ou prisão perpétua, práticas proibidas pela Constituição brasileira.
Além disso, Alexandre de Moraes autorizou que representantes da Justiça italiana possam visitar presencialmente a Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia, onde Zambelli deverá cumprir pena caso seja extraditada. O magistrado também colocou o governo brasileiro à disposição para acompanhar as autoridades italianas durante eventuais inspeções nas dependências da unidade prisional.
A medida é vista como mais um movimento da Justiça brasileira para acelerar o processo de extradição e reduzir questionamentos apresentados pela defesa sobre as condições carcerárias no Brasil. Relatórios, fotografias e documentos sobre a estrutura da penitenciária já haviam sido enviados anteriormente às autoridades italianas.
Carla Zambelli está presa desde 2025 no presídio feminino de Rebibbia, em Roma. Ela deixou o Brasil após ser condenada pelo STF no caso da invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça, investigação que também envolveu o hacker Walter Delgatti.
A expectativa em Roma é que a decisão da Corte de Cassação seja determinante para encerrar uma das disputas de extradição mais delicadas envolvendo uma ex-parlamentar brasileira nos últimos anos.
Por David Gonçalves | Revisão: Daniela Gentil
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