O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, na segunda-feira (20), que “intervenções estrangeiras” na América Latina podem gerar “danos maiores do que o que se pretende evitar”. A declaração foi feita durante cerimônia no Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), em Brasília, onde o chefe do Executivo recebeu as credenciais de embaixadores de 28 países.
Segundo Lula, a região atravessa um momento de “crescente polarização”, e manter o continente como uma “zona de paz” é prioridade para o Brasil: “Sem ódio, sem negacionismo e sem ferir o princípio básico da democracia e dos direitos humanos”, destacou o presidente.
A fala ocorre em meio à tentativa do governo brasileiro de se aproximar novamente dos Estados Unidos, comandados por Donald Trump. Após meses de tensão e da adoção de novas tarifas pela Casa Branca, Lula e Trump se encontraram em setembro, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. Na ocasião, o republicano afirmou que teve com o brasileiro uma “química excelente”.
Pouco depois, no dia 6 de outubro, ambos voltaram a conversar por telefone e o presidente norte-americano classificou o diálogo como “muito bom”. Apesar da reaproximação, os Estados Unidos endureceram o discurso contra o governo de Nicolás Maduro e confirmaram operações da CIA dentro da Venezuela.
Tradicionalmente, a diplomacia brasileira tem se pautado pela mediação e pela não interferência em assuntos internos de outros países. No entanto, ao comentar a situação venezuelana, Lula elevou o tom contra a postura de Washington: “Nenhum presidente de outro país tem que dar palpite sobre a Venezuela”, declarou o petista na semana passada.
De acordo com a CNN, integrantes do governo brasileiro temem que o agravamento das tensões entre Estados Unidos e Venezuela possa comprometer um novo encontro entre Lula e Trump. A expectativa é que ambos os líderes voltem a se reunir na Malásia, durante a cúpula da ASEAN (Associação de Nações do Sudeste Asiático).
Acordo com a União Europeia
Durante o evento, Lula também reafirmou o compromisso de concluir o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, uma de suas promessas de campanha. Segundo ele, a assinatura deve ocorrer em setembro, durante a cúpula do Mercosul, que será realizada no Brasil.
Pelo acordo, 92% dos produtos originários do Mercosul e 95% das linhas tarifárias da União Europeia devem ficar livres de taxações, ampliando o comércio entre os blocos.
Entrega de credenciais
A cerimônia no Itamaraty marcou a entrega de credenciais diplomáticas de representantes de 28 países. Diferentemente das edições anteriores, que ocorreram no Palácio do Planalto, o evento foi realizado na sede do Ministério das Relações Exteriores.
O procedimento é um ato formal que reconhece oficialmente os embaixadores estrangeiros no Brasil. Após a entrega das cartas credenciais, os diplomatas ficam autorizados a assumir suas funções. Entre os países representados está a Malásia, para onde Lula deve viajar na sexta-feira (24).
Por João Vitor Mendes | Revisão: Pietra Gomes
LEIA TAMBÉM: Reações internacionais marcam discursos de Lula e Trump na ONU




