Um tribunal de Oslo condenou nesta segunda-feira (15) Marius Borg Hoiby, filho da princesa herdeira da Noruega, Mette-Marit, a quatro anos de prisão. O norueguês de 29 anos foi considerado culpado por dois casos de estupro, além de outros crimes relacionados a ameaças, violência e infrações de trânsito.
O caso ganhou grande repercussão no país e se tornou um dos episódios mais delicados enfrentados pela monarquia norueguesa nos últimos anos.
Julgamento reuniu dezenas de acusações
Hoiby respondia a cerca de 40 acusações e poderia receber uma pena significativamente maior. Durante o processo, ele negou as acusações mais graves, incluindo os crimes sexuais pelos quais acabou condenado.
Segundo a decisão judicial, dois dos casos de estupro foram considerados procedentes. Em outras acusações semelhantes, o réu foi absolvido. O tribunal também analisou denúncias de maus-tratos contra uma ex-companheira e outros delitos.
Por questões de saúde, Hoiby não compareceu presencialmente à leitura da sentença e acompanhou o resultado por videoconferência a partir da unidade prisional onde está detido desde fevereiro.
Defesa avalia recorrer da decisão
Após a divulgação da sentença, a defesa informou que estuda apresentar recurso contra as condenações relacionadas aos crimes mais graves.
“É natural considerar recorrer das condenações pelos crimes graves”, afirmou a advogada Ellen Holager Andenæs à imprensa local.

Advogados de defesa de Marius Borg Hoiby, filho da princesa herdeira da Noruega, Mette-Marit, falam com jornalistas ao deixarem a prisão de segurança e detenção de Ila em 15 de junho de 2026. Foto: Javad Parsa/AFP
Já o promotor responsável pelo caso, Sturla Henriksbo, avaliou que a punição foi compatível com a gravidade dos fatos analisados pelo tribunal.
“Acredito que este veredicto demonstra que ninguém está acima da lei, independentemente de quem seja ou da família à qual pertença”, declarou.
Relatos expuseram rotina marcada por excessos
Durante o julgamento, vieram à tona relatos sobre o estilo de vida de Hoiby nos últimos anos. Em depoimento, ele afirmou ter buscado reconhecimento ao longo da vida por ser constantemente identificado como filho da princesa herdeira.
“Sou conhecido principalmente como o filho da minha mãe”, declarou durante uma das audiências.
Ele também admitiu envolvimento com drogas, consumo excessivo de álcool e outros comportamentos que, segundo seu relato, marcaram parte de sua trajetória pessoal.
Acusações surgiram após prisão em 2024
As investigações ganharam força em agosto de 2024, quando Hoiby foi preso após uma denúncia de agressão contra uma companheira em Oslo.
Posteriormente, outras mulheres apresentaram relatos de violência física, psicológica e abuso sexual, ampliando o alcance das investigações e levando o caso à Justiça.
De acordo com a acusação, alguns dos crimes ocorreram entre 2018 e 2024, em situações nas quais as vítimas estariam incapazes de oferecer resistência.
Impacto na família real
Embora não exerça funções oficiais na monarquia norueguesa, Hoiby é uma figura conhecida no país por ser filho de Mette-Marit, casada desde 2001 com o príncipe herdeiro Haakon.
O caso provocou forte repercussão na opinião pública e aumentou o escrutínio sobre a família real. Ainda assim, pesquisas recentes indicam que a monarquia continua mantendo níveis elevados de apoio entre os noruegueses.
Nos últimos anos, a família real também enfrentou outros episódios de desgaste público, enquanto a princesa Mette-Marit lida com problemas de saúde relacionados a uma doença pulmonar que a levou à fila de transplante.
Por Daniela Gentil | Revisão: Redação MDNews
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