O Ministério Público de Milão aprofunda as investigações sobre uma empresa suspeita de organizar festas de luxo que incluíam prostituição e movimentaram milhões de reais desde 2019. A apuração já aponta cerca de 70 jogadores da primeira divisão do futebol italiano como possíveis clientes, incluindo atletas ligados a clubes como Inter de Milão, AC Milan, Juventus e Torino.
A reportagem teve acesso exclusivo ao relato de uma das mulheres envolvidas no esquema. Beatriz, brasileira de 22 anos, natural de Pernambuco, aceitou falar sob condição de anonimato parcial. Ela afirma ter participado de diversas dessas festas desde que chegou à Itália, há dois anos.
Segundo o depoimento, os eventos aconteciam em casas noturnas e hotéis de alto padrão, tanto na Itália quanto na Grécia, reunindo jogadores, celebridades e até nomes ligados à Fórmula 1. Em uma das ocasiões, Beatriz relata ter recebido um carro de presente de um jogador da Juventus.
Ela descreve o ambiente como “um cenário de sexo aberto”, onde mulheres eram tratadas como vitrines e frequentemente se envolviam com vários homens em uma mesma noite. Apesar disso, afirma que todas participavam por vontade própria, atraídas principalmente pelas promessas financeiras, que segundo ela eram cumpridas.
O consumo de drogas também fazia parte da rotina das festas. Beatriz relata que jogadores frequentemente compravam substâncias e ofereciam às mulheres, evitando o uso próprio por receio de testes antidoping. O óxido nitroso, conhecido como “gás do riso”, era comum nesses encontros.
Outro ponto revelado envolve uma espécie de “lista premium”, organizada por uma mulher brasileira que recrutava participantes via redes sociais. Segundo Beatriz, quem recusasse relações durante os eventos era excluída dessa lista e não era mais convidada.
Apesar de afirmar não ter sofrido ameaças diretas, ela reconhece que existia uma pressão implícita para participar das dinâmicas das festas. Algumas mulheres, segundo ela, demonstraram arrependimento posteriormente, especialmente devido ao estado físico e emocional após os eventos.
Beatriz também confirmou que outras sete brasileiras devem prestar depoimento nos próximos dias. Ela própria será ouvida pelas autoridades italianas e já mudou de residência por segurança. A Justiça determinou que permaneça no país até o fim das investigações.
A jovem afirma estar com a consciência tranquila, alegando que não cometeu crime. Na Itália, assim como no Brasil, a prostituição em si não é ilegal. O foco da investigação está na exploração, organização e lucratividade da atividade, o que configura crime.
Até o momento, quatro pessoas suspeitas de comandar o esquema foram presas, acusadas de lavagem de dinheiro e exploração da prostituição. Os clubes citados não se pronunciaram.
As investigações continuam e podem revelar um dos maiores escândalos recentes envolvendo o futebol europeu.
Por David Gonçalves, correspondente MD News na Itália | Revisão: Daniela Gentil
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