Polícia investiga intérprete de Libras da posse de Bolsonaro por suspeita de abuso sexual contra alunos surdos

Sandro dos Santos Pereira teria se aproveitado da posição de professor e líder na comunidade surda para cometer os crimes. Caso corre em sigilo na DPCA; ele nega as acusações

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O intérprete de Libras Sandro dos Santos Pereira, conhecido por ter traduzido a cerimônia de posse do ex-presidente Jair Bolsonaro em 2019, é investigado por suspeita de abuso sexual contra alunos surdos. As denúncias ganharam repercussão após a mãe de uma das supostas vítimas, um adolescente, relatar o caso nas redes sociais.

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Segundo o depoimento da mãe, os abusos contra o filho teriam começado a partir de 2022, quando o menino tinha cerca de 12 anos, e se estendido por aproximadamente três anos. A família relata que o adolescente passou a frequentar a casa do investigado após o primeiro contato e que a relação se baseava na confiança, uma vez que Sandro era professor e uma figura de referência na comunidade surda.

“Você confia, né? Porque é um professor, um conhecido, um líder da comunidade surda”, afirmou a mãe da vítima.

Ainda de acordo com o relato, o adolescente só compreendeu a gravidade dos atos meses depois, durante uma atividade escolar sobre abuso sexual. Ao conversar sobre o tema com colegas, ele descobriu que havia outros casos envolvendo o intérprete. “Ele comentou com um colega. E esse colega disse que também tinha acontecido com ele… e apontou o mesmo nome”, disse a mãe, o que levantou a suspeita de um padrão de conduta.

Crédito: Carol Ercolin

Após a divulgação inicial, a família afirma que relatos de outras possíveis vítimas começaram a surgir. Entre as denúncias mais recentes está a de uma adolescente de 15 anos. Os indícios apontam que o número de vítimas pode ser maior, com casos acumulados ao longo dos últimos anos.

Investigação e afastamento

A investigação é conduzida pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente. Por envolver menores de idade, o inquérito tramita sob sigilo.

Sandro dos Santos Pereira nega as acusações. Após a repercussão, ele foi afastado das funções em instituições onde atuava como professor e intérprete.

As autoridades apuram a extensão dos relatos e a possível existência de outras vítimas. O caso também chama atenção para a vulnerabilidade de estudantes surdos, que podem enfrentar barreiras adicionais para denunciar situações de violência, especialmente quando envolvem pessoas em posição de autoridade.

A investigação segue em andamento.

Por David Gonçalves | Revisão: Laís Queiroz

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Laís Queiroz
Laís Queiroz
Jornalista para contar o que merece permanecer.

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