O MEC Livros, plataforma gratuita de empréstimo digital do Ministério da Educação (MEC), ultrapassou a marca de 1 milhão de usuários cadastrados e se consolida como uma das maiores bibliotecas digitais públicas do país. Integrado à conta Gov.br, o serviço oferece acesso gratuito a cerca de 25,1 mil livros, entre obras em domínio público e títulos contemporâneos licenciados, disponíveis para leitura online em computadores, celulares e tablets.
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Os números mostram o crescimento da plataforma. Segundo o MEC, já foram realizados 618.677 empréstimos digitais, contabilizadas 384 mil horas de leitura e mais de 139 mil livros foram concluídos pelos leitores, considerando aqueles em que pelo menos 90% do conteúdo foi lido.
O acesso é gratuito. Basta fazer login utilizando a conta Gov.br, escolher uma das obras disponíveis no catálogo e iniciar a leitura imediatamente.
Os livros mais lidos do MEC Livros
Nos últimos 30 dias, o ranking de empréstimos do MEC Livros foi liderado por Torto Arado, de Itamar Vieira Junior, seguido por clássicos da literatura mundial e sucessos contemporâneos.
Confira a lista:
- Torto Arado – Itamar Vieira Junior (3.704 empréstimos)
- Noites Brancas – Fiódor Dostoiévski (3.376)
- A Vegetariana – Han Kang (2.385)
- A Cabeça do Santo – Socorro Acioli (1.852)
- Crime e Castigo – Fiódor Dostoiévski (1.588)
- Noites Brancas (tradução alternativa) – Fiódor Dostoiévski (1.040)
- Oração para Desaparecer – Socorro Acioli (976)
- Chico Bento: Natureza e os Biomas Brasileiros – Mauricio de Sousa (969)
- Capitães da Areia – Jorge Amado (763)
- Harry Potter e a Pedra Filosofal – J.K. Rowling. (699)
Já entre os livros efetivamente concluídos pelos leitores, A Cabeça do Santo aparece na liderança, com 8.981 leituras completas, seguida por A Vegetariana, com 5.616. O dado indica que, além de despertarem interesse, as obras conseguem manter o público engajado até o final.
O que contam essas histórias?
Apesar de reunirem autores de diferentes países e épocas, as obras mais procuradas apresentam pontos em comum. Torto Arado, vencedor dos principais prêmios literários brasileiros, retrata a vida de duas irmãs no sertão baiano e aborda temas como concentração de terras, racismo, ancestralidade e desigualdade social.

Em Noites Brancas, Dostoiévski constrói uma narrativa sobre solidão, amor idealizado e expectativas frustradas por meio do encontro entre dois jovens durante quatro noites em São Petersburgo.
Também do escritor russo, Crime e Castigo acompanha um estudante que acredita estar acima das leis morais ao cometer um assassinato, mergulhando em reflexões sobre culpa, consciência e justiça.

Vencedora do Nobel de Literatura de 2024, Han Kang, em A Vegetariana, narra a história de uma mulher que decide abandonar o consumo de carne, desencadeando conflitos familiares e debates sobre violência, autonomia do corpo e liberdade individual.
Já A Cabeça do Santo, da cearense Socorro Acioli, mistura realismo e fantasia ao contar a história de um homem que encontra abrigo dentro da cabeça de uma estátua de santo abandonada, em uma narrativa sobre fé, pertencimento e esperança.
Na mesma linha, Oração para Desaparecer explora temas como memória, luto, identidade e relações familiares.
Entre os clássicos brasileiros, Capitães da Areia, de Jorge Amado, denuncia as desigualdades enfrentadas por crianças em situação de rua na Salvador da década de 1930, enquanto Chico Bento: Natureza e os Biomas Brasileiros aproxima o público infantil da educação ambiental por meio dos personagens criados por Mauricio de Sousa.
Fechando a lista, Harry Potter e a Pedra Filosofal mantém sua força mesmo quase três décadas após o lançamento, reunindo aventura, amizade e amadurecimento em uma das séries literárias mais populares do mundo.
O que explica esse ranking?
Embora pertençam a gêneros bastante diferentes, os dez livros compartilham características que ajudam a explicar o interesse dos leitores.
A maior parte das obras trata de questões humanas universais, como identidade, culpa, amor, perdas e pertencimento. Outro aspecto recorrente é a crítica social, presente em títulos como Torto Arado, Capitães da Areia, A Cabeça do Santo e A Vegetariana, que discutem desigualdade, violência, preconceito e relações de poder.
Também chama atenção o equilíbrio entre clássicos da literatura mundial, como Dostoiévski, e autores brasileiros contemporâneos, caso de Itamar Vieira Junior e Socorro Acioli. A presença de Harry Potter e do quadrinho de Chico Bento ainda demonstra que o catálogo atende leitores de diferentes idades e perfis.
Outro fator é a influência das redes sociais. Livros como Noites Brancas, A Vegetariana e Torto Arado ganharam novo impulso nos últimos anos impulsionados por comunidades de leitores no BookTok e Bookstagram, aproximando novas gerações de obras clássicas e contemporâneas.
Como os brasileiros utilizam a plataforma
A versão web concentra 52% do tempo de leitura, somando 199.116 horas. Os dispositivos Android respondem por 37% (142.410 horas), enquanto os aparelhos com iOS representam 11% (44.009 horas).
São Paulo lidera o número de usuários cadastrados, com 227.121 leitores, seguido por Rio de Janeiro (91.523), Minas Gerais (88.898), Bahia (61.975) e Ceará (54.560).
Como acessar o MEC Livros?
- Pelo navegador: Entre no site oficial do MEC Livros usando o computador, tablet ou celular.
- Pelo aplicativo: Baixe o app oficial MEC Livros diretamente na loja de aplicativos do seu celular (Google Play Store ou App Store).
- Login: Clique em entrar e utilize o seu CPF e senha da sua conta única do Gov.br para liberar o acesso ao catálogo.
Por: Laís Queiroz | Revisão: Daniela Gentil
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