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Caso Mariana Ferrer: STF declara nulidade do processo que favoreceu acusado de estupro

Por unanimidade, ministros reconheceram falhas na condução da audiência que serviu de base para a absolvição do réu

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, nesta sexta-feira (19), anular a audiência de instrução e todos os atos processuais posteriores do caso Mariana Ferrer, incluindo as sentenças de primeiro e segundo graus. O relator do recurso extraordinário, ministro Alexandre de Moraes, entendeu que houve violação dos direitos fundamentais da vítima durante o processo conduzido pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina.

Durante o julgamento, Moraes apontou conduta abusiva por parte da defesa e omissão do juiz e do Ministério Público na condução da audiência. Na sessão, o ministro reproduziu trechos do vídeo da instrução processual em que o advogado do acusado faz comentários considerados inadequados à vítima, que reagiu alegando estar sofrendo assédio moral.

Audiência do julgamento de Mariana Ferrer em Santa Catarina – Imagem: Reprodução/Conjur

O magistrado determinou a realização de uma nova instrução processual, com a participação de novos agentes processuais, e propôs uma tese de repercussão geral sobre a inadmissibilidade de provas obtidas mediante desrespeito à dignidade da vítima.

Relembre o caso

O caso ganhou repercussão nacional em 2020 após a divulgação de vídeos da audiência de instrução do processo em que Mariana Ferrer acusava o empresário André de Camargo Aranha de estupro. Nas imagens, a influenciadora foi alvo de ataques pessoais e questionamentos sobre sua conduta por parte da defesa do acusado, sem intervenção efetiva dos responsáveis pela condução da audiência.

Em setembro de 2020, o acusado foi absolvido pela Justiça de Santa Catarina por falta de provas suficientes para a condenação. A divulgação dos vídeos gerou forte repercussão pública e debates sobre a proteção de vítimas de violência sexual durante processos judiciais.

André Aranha e Mariana Ferrer (Foto: Reprodução/Instagram)

Motivos que levaram à anulação

Segundo Moraes, a decisão se baseia em cinco fatores principais: a utilização de um depoimento considerado ilícito por ter sido obtido com desrespeito aos direitos fundamentais da vítima; a atuação inadequada dos agentes processuais durante a audiência; a violação da dignidade, honra, intimidade, privacidade e integridade psicológica de Mariana Ferrer; a omissão do magistrado diante das práticas abusivas registradas no ato processual; e o comprometimento da regularidade do processo.

O ministro destacou que o depoimento da vítima foi uma das principais provas utilizadas pelos julgadores para fundamentar a absolvição do acusado, sendo citado diversas vezes tanto na sentença de primeiro grau quanto no acórdão.

Para o relator, as condutas praticadas durante a audiência comprometeram a espontaneidade e a liberdade do depoimento da vítima, considerado uma prova essencial em crimes de natureza sexual, tornando-o ilícito e contaminando os atos processuais que dele derivaram.

Foto: Antonio Augusto/STF

De acordo com Moraes, não seria possível preservar a validade da sentença e do acórdão por terem sido fundamentados em uma audiência considerada nula.

“Diante disso, presidente, declaro ilícita a prova consistente no depoimento colhido durante a instrução, por desrespeito aos direitos fundamentais da vítima. Consequentemente, a audiência de instrução é nula e, por se basearem nela, também são nulos a sentença e o acórdão”, afirmou o ministro.

STF estabelece tese sobre proteção às vítimas

Como consequência do entendimento firmado pela Corte, Moraes propôs uma tese de repercussão geral para orientar julgamentos futuros envolvendo crimes sexuais.

Segundo o relator, provas produzidas mediante ações ou omissões que violem os direitos fundamentais da vítima não podem ser admitidas pelo Poder Judiciário, assim como todos os atos processuais que delas decorram.

Por Daniela Gentil | Revisão: Redação MD News

VEJA TAMBÉM: Extradição de Zambelli passará por nova audiência em tribunal italiano em 1º de julho

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Marcia Dantas

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