O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, anunciou nesta segunda-feira (22) sua renúncia à liderança do governo britânico e do Partido Trabalhista, encerrando um mandato de menos de dois anos marcado por mudanças de rumo em políticas públicas, dificuldades políticas internas e altos índices de impopularidade.
O anúncio foi feito em um pronunciamento em frente ao número 10 de Downing Street, residência oficial dos primeiros-ministros britânicos. Em um discurso emocionado, Starmer afirmou que todas as decisões tomadas durante sua gestão tiveram como objetivo priorizar os interesses do país.
“Todas as decisões que tomei foram pensando em colocar o país que amo em primeiro lugar. É por isso que renunciarei à liderança do Partido Trabalhista”, declarou o premiê, com a voz embargada.
Segundo Starmer, o processo para a escolha de um novo líder trabalhista será iniciado em julho. Até que seu sucessor seja definido, ele permanecerá à frente do governo britânico, com a expectativa de que a transição seja concluída até setembro.
A decisão já foi comunicada ao rei Charles III. O premiê afirmou que trabalhará para garantir uma transição estável e prometeu apoiar integralmente o partido durante o processo sucessório.
Pressão interna acelerou saída
A fragilidade política de Starmer tornou-se mais evidente após a expressiva vitória de Andy Burnham em uma eleição suplementar realizada na última semana. O resultado foi interpretado por parlamentares trabalhistas como um sinal da necessidade de renovação na liderança da legenda.
Ex-prefeito de Manchester, Burnham assumirá nesta segunda-feira uma cadeira parlamentar por Makerfield e é apontado como o principal favorito para suceder Starmer no comando do Partido Trabalhista e, consequentemente, do governo britânico.
Aliados destacam a capacidade de comunicação de Burnham e acreditam que ele poderá ajudar a recuperar a popularidade do partido diante do crescimento do partido Reform UK, liderado por Nigel Farage.
Legado e transição
Em tom de despedida, Starmer afirmou que seu sucessor herdará “uma Grã-Bretanha mais forte e justa” do que a encontrada quando assumiu o governo. O premiê também agradeceu aos colegas de partido, servidores públicos, amigos e funcionários de Downing Street pelo apoio durante sua gestão.
Com a saída de Starmer, o Reino Unido se prepara para ter seu sétimo primeiro-ministro desde o referendo do Brexit, realizado há uma década, refletindo um período de intensa instabilidade política no país.
A conferência anual do Partido Trabalhista, prevista para setembro, deverá oficializar a escolha do novo líder da legenda, definindo quem assumirá o comando do governo britânico nos próximos meses.
Por João Vitor Mendes | Revisão: Daniela Gentil
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