O clima interno no Avante se deteriorou após a repercussão negativa das recentes aparições do cantor Manoel Gomes, conhecido pelo hit “Caneta Azul”. O que inicialmente era visto pela legenda como uma aposta para ampliar o alcance eleitoral e atrair votos de nicho, passou a ser tratado como um fator de desgaste político às vésperas das eleições de 2026.
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Em entrevistas recentes, o cantor foi questionado sobre temas ligados a políticas públicas e acabou apresentando respostas consideradas vagas ou desconectadas de debates mais técnicos. A situação ganhou maior repercussão após uma participação em um programa de rádio: as falas do pré-candidato passaram a ser amplamente compartilhadas nas redes sociais e criticadas por analistas e comentaristas políticos.
Nos bastidores, o episódio acendeu um alerta dentro do partido. A avaliação de integrantes da sigla é de que a exposição negativa pode comprometer não apenas a imagem individual de Manoel Gomes, mas também a viabilidade coletiva da chapa proporcional em São Paulo.
O ponto de maior tensão envolve agora a ala ligada ao pré-candidato Augusto Cury, que também atua nas articulações internas do Avante. Em reuniões reservadas, interlocutores relatam que o próprio Cury teria demonstrado incômodo com a postura do cantor em suas últimas aparições na imprensa. Segundo essas fontes, ele avalia que, caso esse tipo de exposição continue, o episódio pode desgastar a imagem do partido e impactar o conjunto dos pré-candidatos da sigla.

A preocupação central dentro do Avante é de natureza matemática e eleitoral. Pelas regras do sistema proporcional e do quociente eleitoral, a votação individual dos candidatos afeta diretamente a distribuição de cadeiras. Nesse contexto, um nome com alta exposição e baixa conversão de votos passa a ser visto como um risco interno, e não como um ativo político.
Enquanto a direção nacional tenta conter a escalada da crise e preservar a unidade da sigla, cresce a pressão para reavaliar a exposição pública de Manoel Gomes durante o período pré-eleitoral. O objetivo é evitar que o impacto negativo contamine outras candidaturas do partido.
O diagnóstico interno é de que o Avante enfrenta uma encruzilhada estratégica: manter a aposta em um nome de forte apelo popular, ainda que politicamente instável, ou blindá-lo para proteger o desempenho geral da legenda em 2026.
Por enquanto, a crise segue restrita ao ambiente interno, mas já produz reflexos claros na articulação política do partido em São Paulo.
Por: David Gonçalves | Revisão:
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